Está aqui

Alterações climáticas ameaçam áreas de cultivo na Europa

Relatório da Copernicus encomendado pela União Europeia afirma que as alterações climáticas têm reduzido a humidade do solo em importantes áreas de cultivo. E alerta que as secas devem tornar-se mais frequentes ao longo deste século.
Capa do relatório encomendado pela União Europeia.

De acordo com dois estudos da União Europeia (o European State of the Climate do Copernicus e do o Centro Comum de Pesquisa da UE) as taxas de humidade do solo em importantes áreas de cultivo de cereais na Europa estão cada vez mais baixas, tendo mesmo sido atingido os mínimos históricos. Ao mesmo tempo, as secas tornam-se cada vez mais frequentes ao longo do século, ameaçando as culturas de cereais como o trigo e o milho.

Estes estudos destacam os riscos para a produção de alimentos no futuro da Europa, afetando cerca de 500 milhões de pessoas que consomem e exportam estes produtos. E sublinham a necessidade de as economias se adaptarem e encontrarem novos meios de cultivo em climas mais áridos.

No início do ano, o Copernicus Climate Change Service (C3S) anunciou que 2019 foi o quinto de uma série de anos excecionalmente quentes e o segundo ano mais quente desde que há registos no mundo, pode ler-se na Euronews. Já em 2018, os dados de temperatura na Europa mostraram uma clara tendência para o aquecimento nos últimos 40 anos, tanto para as temperaturas médias como para as sazonais, com uma variação de +1,2 °C em relação à média de 1981-2010.

A distribuição do calor não tem sido homogénea, com as zonas centrais e orientais a serem mais afetadas. A Europa sofreu três ondas de calor distintas em 2019, e 11 dos 12 anos mais quentes registados ocorreram nos últimos 20 anos, segundo o Copernicus. Por sua vez, as fortes chuvas e consequentes inundações que ocorreram em várias partes da Europa no final do ano passado não trouxeram grandes benefícios em termos de taxa de humidade para os solos.  Isto porque as chuvas, quando são torrenciais e por curtos períodos de tempo, vão provocar uma escorrência superficial intensa e muito pouca inflitração. E  as temperaturas altas facilitam a evaporação mais rápida, pelo que "mesmo que pareça húmido, o solo nem sempre é capaz de se regenerar", disse Joaquín Muñoz Sabater, cientista do Climate Change Service Copernicus.

A distribuição da chuva também não segue um padrão homogéneo, em que na Europa do Norte os registos indicam um aumento até 70mm/década desde os anos 60, enquanto no Sul desceu até 90mm/década, de acordo com o estudo feito pela consultora HHFA. Naturalmente, as regiões mais afetadas negativamente correspondem às regiões mediterrânicas e do sudeste europeu, com a diminuição da precipitação e com o aumento da temperatura. Os seus efeitos conjugados resultam em secas mais intensas e persistentes e escassez de água, indica Blaž Kurnik, especialista da Agência Ambiental Europeia.

Mas se os agricultores mediterrânicos sofrerão dificuldades agravadas nas suas culturas, os agricultores na Europa do Norte verão os seus terrenos com maior capacidade de retenção do humidade nos solos.  Apesar disso, as projeções indicam uma tendência para o aumento de eventos extremos na Europa, tanto de ordem metereológica, como os episódios de chuvas intensas, quanto climática, como secas. Ainda de acordo com Kurnik, esta alteração vai afectar o valor económico da agricultura, com as projeções a indicarem que ocorram perdas na ordem dos 80% ou mais, o que pode originar o abandono agrícola e dos terrenos.

Termos relacionados Ambiente
(...)