A comitiva portuguesa, liderada pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente chegou à central nuclear de Almaraz esta segunda-feira de manhã, almoçou nas instalações e saiu por volta das 18 horas locais sem prestar declarações à imprensa. Entre os presentes estavam peritos da Ordem dos Engenheiros, da Universidade de Coimbra e da Direção Geral de Saúde.
Esta visita autorizada pelo governo de Madrid serviu de contrapartida à retirada da queixa portuguesa junto de Bruxelas por causa a construção de um novo aterro de resíduos que servirá para criar condições para o prolongamento da vida da central nuclear por mais umas décadas. Apesar de Almaraz estar em fim de vida e de serem recorrentes os incidentes na central, a Endesa, Iberdrola e Fenosa – empresas donas da central nuclear – querem continuar a rentabilizar Almaraz bem para além do prazo útil de funcionamento.
Para o Movimento Ibérico Antinuclear, esta visita é “uma simples cortesia”, ao excluir a imprensa e representantes das ONG ambientalistas que têm posto em causa os argumentos das empresas produtoras de energia.
Em comunicado, o movimento lembra que o processo de autorização do novo aterro “viola três protocolos internacionais e três diretivas comunitárias, ou seja, este processo realizou-se sem as necessárias garantias legais”. O MIA critica a retirada da queixa por parte do governo português em troca de visitas e reuniões que “se vão converter em mero expediente” ao não incluírem “outros observadores mais críticos e independentes, passo essencial para garantir um mínimo de transparência num processo que afeta toda a cidadania espanhola e portuguesa”.
La visita a Almaraz de la delegación portuguesa y comunitaria es un mero trámite https://t.co/pDZkObiRY2 pic.twitter.com/Y7zxJdnqln
— Iberia Antinuclear (@MIAntinuclear) 27 de fevereiro de 2017