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Almada: Bloco quer governação à esquerda

Joana Mortágua afirmou que a partir de domingo o Bloco está disponível para uma governação à esquerda “de corpo inteiro”, que substitua a atual maioria PS/PSD em Almada. Catarina Martins salientou que o Bloco “será determinante” nas escolhas que vão ser feitas em muitos concelhos.
Comício do Bloco em Almada - Foto de Andreia Quartau
Comício do Bloco em Almada - Foto de Andreia Quartau

No comício do Bloco, realizado esta quarta-feira em Almada, intervieram Joana Mortágua, Pedro Filipe Soares, José António Rocha, Luís Filipe Pereira e Luísa Costa Gomes, tendo havido ainda um momento musical com Benjamim.

Catarina Martins foi interrompida pela chuva quando iniciava a sua intervenção, tendo salientado que o Bloco “será determinante” em muitos concelhos municipais. “Em Almada não vai ser diferente, a força do Bloco de Esquerda é que vai determinar a habitação, os transportes, o clima, a igualdade”, afirmou.

A coordenadora do Bloco de Esquerda lembrou ainda que o ministro do Ambiente anunciou na véspera que “queria tirar 150 milhões de euros ao fundo ambiental para pagar lucros das elétricas”. Catarina Martins afirmou que esse montante “foi quanto custou baixar os passes em 2019” e afirmou que o Bloco vai lutar nas autarquias para que “ainda neste mandato estudantes, pensionistas, pessoas desempregadas não paguem passe social e que não haja nenhum passe social no país a custar mais de 20 euros por mês”. “Vamos tirar os carros das cidades, vamos lutar pelo clima e vamos lutar pela igualdade”, apelou.

Joana Mortágua quer “determinar uma governação à esquerda em Almada”

“A partir do próximo domingo, queremos determinar uma governação à esquerda em Almada, uma governação que não seja de esquerda apenas da boca para fora, mas que o seja de corpo inteiro. É com essa ideia que confrontamos a maioria e o seu acordo de bloco central e todas as suas impossibilidades”, afirmou Joana Mortágua, vereadora e candidata à Câmara de Almada do Bloco de Esquerda.

A vereadora e candidata bloquista denunciou as escolhas da atual maioria PS/PSD: “São as que adiam, sem prazo definido, a redução da tarifa da água para mais 15 mil almadenses pobres. São aquelas em que a CDU alinha para dizer que em Almada não pode haver uma cláusula anti-precariedade, são as que mantêm 24 mil utentes sem médico de família e as que não querem ter vaga na escola pública para todas as crianças”, sublinhou.

“As impossibilidades da maioria PS e PSD fazem ricochete nas vidas de milhares de almadenses a quem é negado o direito à habitação. Aqueles e aquelas que se dirigem às reuniões públicas de Câmara para exporem os seus dramas, famílias que vão ser despejadas, mulheres que mesmo trabalhando não conseguem pagar uma casa e que uma e outra vez ouvem a mesma resposta: ‘casos como o seu, infelizmente, temos muitos’”, acusou Joana Mortágua.

“Se ao menos em Almada nascessem casas como nascem rotundas ou como nascem anúncios de empreendimentos de luxo ou de hotéis de luxo, talvez assim a Câmara não se desse ao luxo de responder ‘casos como o seu, infelizmente, temos muitos’, denunciou ironicamente a candidata bloquista.

A terminar, Joana Mortágua acusou António Costa de ter entrado na “fase das garantias invisíveis”, por, segundo Inês de Medeiros – atual presidente da Câmara, lhe ter garantido a expansão do metro Sul do Tejo até à Costa da Caparica.

“Nós agora entramos numa nova fase, que é a fase das garantias invisíveis de António Costa. Ninguém as viu, ninguém as ouviu, mas Inês de Medeiros garante que estão lá”, afirmou a vereadora.

Joana Mortágua reforçou ainda a crítica a António Costa: “O primeiro-ministro anda a correr os comícios do Partido Socialista disparando os milhões da bazuca para todos os lados e parece que não sobrou um cêntimo para provar as garantias que deu a Inês de Medeiros sobre a expansão do metro até à Costa da Caparica”.

Pedro Filipe Soares acusa António Costa de “prometer tudo”

Na sua intervenção, o líder parlamentar do Bloco afirmou que António Costa transformou as eleições autárquicas de 26 de setembro numa “caricatura”, considerando que o primeiro-ministro “vai a todo o lado prometer tudo”.

“Se olharmos para a forma como o primeiro-ministro tem entrado nestas autárquicas, percebemos como tem diminuído este ato eleitoral tão nobre numa democracia como a nossa. Transformou estas eleições numa caricatura”, acusou.

Pedro Filipe Soares denunciou ainda: “Um primeiro-ministro que tudo promete, vai a todo o lado prometer tudo o que entende em cada um dos locais e tem a seu lado candidatos que a tudo dizem que sim. A confusão é tamanha que, às tantas, não sabemos onde começa o Governo e onde acaba o partido, onde começa o partido e acaba o país”.

“O primeiro-ministro confunde as eleições autárquicas com os fundos comunitários, mas também com o debate do Orçamento do Estado. Nessas matérias, devemos alertar qualquer incauto e também o primeiro-ministro de que nós, Bloco de Esquerda, não confundimos eleições autárquicas com a negociação do Orçamento do Estado, não medimos a nossa capacidade negocial pelo resultado que tivermos domingo à noite”, vincou o líder parlamentar do Bloco.

Luísa Costa Gomes: “Ser pobre era e é correr risco de vida”

“Raras vezes na história recente, fora talvez durante as guerras, tiveram os governos tanto impacto na vida quotidiana das pessoas, como durante esta pandemia”, afirmou a escritora Luísa Costa Gomes na sua intervenção.

Luísa Costa Gomes afirmou que a pandemia trouxe, “entre tantos horrores”, “a revelação do que estava escondido à vista de todos: uma sociedade deslassada e desamparada, à beira de várias catástrofes”.

“No centro desse desamparo está a casa ou a falta dela, “ salientou, lembrando que “ficou patente durante a pandemia que as pessoas que mais se infetavam eram as pessoas com menos recursos, porque eram muitas, muitas em casas muito pequenas, não podiam deixar de viajar horas e horas em transportes sobrelotados”. “Ser pobre era e é correr risco de vida”, frisou, apoiando a necessidade de “colocar a casa no centro das procupações políticas” e considerando que “as medidas que o Bloco propõe são todas prioritárias”.

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