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Alexis Tsipras: A Europa que queremos

Esta não é a nossa Europa. É apenas a Europa que queremos mudar, diz Alexis Tsipras, candidato à Presidência da Comissão Europeia, presidente do Syriza da Grécia e líder da oposição no seu país. Artigo publicado na revista New Europe.

A atual crise económica revelou como o processo de integração europeia neoliberal é inadequado e limitado. É uma integração centrada na liberalização financeira e numa união monetária, embrulhada por uma mera réplica do Bundesbank alemão intitulada “Banco Central Europeu”. É um processo de pendor recessivo que acentua as desigualdades e assimetrias intra e inter-estados-membro, aumenta o desemprego e espalha a rede de pobreza entre as classes sociais mais baixas. Foi mais uma avalanche de capital contra o trabalho do que um esforço honesto para resolver a crise.

O que está realmente a acontecer é que o establishment político europeu viu na crise a oportunidade de reescrever a política económica da Europa do pós-guerra. A gestão política da crise da dívida soberana da Eurozona está em si inscrita no processo da transformação institucional do Sul da Eurozona de acordo com as linhas do capitalismo neoliberal anglo-saxão. Não é tolerada a diversidade das instituições nacionais. O aplicação de regras políticas é a pedra angular da recente legislação da Comissão Europeia para ampliar a governança económica na Eurozona. A chanceler Merkel, na Alemanha, em aliança com a elite burocrática em Bruxelas, trata a solidariedade social e a dignidade humana como distorções económicas, e a soberania nacional como um incómodo. A Europa é forçada a vestir o colete de forças da austeridade, da disciplina e da desregulamentação. Pior ainda, uma geração de jovens tem a expetativa de viver pior que os seus pais.

Esta não é a nossa Europa. É apenas a Europa que queremos mudar. No lugar de uma Europa de medo do desemprego, da invalidez, da velhice e da pobreza; no lugar de uma Europa ao serviço das necessidades dos banqueiros, queremos uma Europa ao serviço das necessidades humanas.

Queremos a reorientação democrática e progressista da União Europeia. O fim do neoliberalismo, da austeridade e das chamadas sociedades europeias dos dois terços, onde 1/3 da sociedade se comporta como se não houvesse crise económica e 2/3 sofrem todos os dias, mais e mais. A Esquerda Europeia tem a visão política e a coragem de construir um consenso social mais amplo em torno do objetivo programático de reconstruir a Europa numa base democrática, social e ecológica.

Este é o contexto político da minha candidatura à Presidência da Comissão Europeia pelo Partido da Esquerda Europeia. Ele explica porque não se trata apenas de mais uma candidatura. Trata-se, em vez disso, de um mandato pela esperança e a mudança na Europa. É um toque a reunir pelo fim da austeridade, pela salvaguarda da democracia e para trabalhar pelo crescimento. É um apelo a todos os cidadãos democratas e sensíveis, independentemente da sua ideologia e afiliação partidária. Porque à medida em que a recessão, a estagnação económica ou o crescimento anémico e sem criação de empregos submerge a Europa inteira, a austeridade também submerge as pessoas tanto do Sul quanto do Norte. Assim, a reação à austeridade transcende o estado-nação e alinha as forças sociais a nível europeu. A austeridade atinge o povo trabalhador independentemente do local de moradia. Por esta razão, precisamos de integrar a indispensável aliança antimemorandos do Sul num amplo movimento europeu anti-austeridade.

A Esquerda Europeia é a principal força de mudança na Europa.

– Apoiamos a imediata rejeição dos Memorandos e de incentivo coordenado ao crescimento em todas as economias europeias.

• Queremos um genuíno Banco Central Europeu, atuando como credor de última instância não só dos bancos mas também dos Estados.

• Acreditamos que a Europa precisa da sua própria lei Glass-Steagall para separar as atividades bancárias comerciais das de investimento e evitar a perigosa mistura de riscos numa entidade descontrolada.

• Queremos uma efetiva legislação europeia que taxe a economia offshore e as atividades empresariais.

• Estamos na vanguarda da luta contra a corrupção em todas as formas. A nossa prioridade é combater a corrupção das empresas e ampliar a capacidade das pessoas e organizações para resistir a ela. A corrupção da parte das grandes empresas, com as suas sedes em grandes países europeus, traz junto com ela custos sociais e económicos que também caem sobre os povos desses países.

• Apoiamos a resolução coletiva, credível e definitiva da crise da dívida europeia através de uma Conferência da Dívida, semelhante à Conferência de Londres de 1953 sobre a dívida alemã.

• Trabalhamos para fazer desaparecer o fascismo e o nazismo na Europa, em vez de enfraquecer a democracia, como faz a austeridade.

No lugar de uma Europa que redistribua o rendimento para os ricos e o medo para os pobres, propomos a nossa própria Europa da solidariedade, da segurança económica e social, do emprego e da prosperidade.

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Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

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