Alerta para crescimento da extrema-direita em Portugal

29 de março 2018 - 10:43

O Relatório Anual de Segurança Interna alerta para o aumento dos contactos com movimentos de extrema-direita internacionais, reforço da propaganda online e a organização de conferências e protestos simbólicos.

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Alerta para crescimento da extrema-direita em Portugal
Foto de lewishamdreamer/Flickr.

O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) alerta que a extrema-direita está a ganhar força em Portugal. De acordo com o Diário de Notícias, o documento aprovado pelo Conselho Superior de Segurança Interna (CSSI) e entregue hoje na Assembleia da República, alerta para um crescimento de movimentos de extrema-direita em Portugal.

O relatório indica que houve uma intensificação dos contactos com movimentos de extrema-direita internacionais, reforçada a propaganda online e organizadas conferências e protestos simbólicos.

A vigilância aos grupos neonazis aumentou desde 2014, em particular devido ao crescimento destes movimentos noutros países europeus, em sequência do fenómeno migratório e a crise de refugiados a alimentar a radicalização de discursos. Porém, em Portugal esse crescimento foi observado apenas no ano passado, em 2017.

O Diário de Notícias noticia que o relatório chama a atenção para a existência de movimentos nacionalistas envolvidos em atividades criminosas e refere uma ameaça por parte das novas organizações de extrema-direita em Portugal, como por exemplo o grupo de motards Red & Gold, que pertencem aos Los Bandidos, o rival histórico dos Hell's Angels.

Foram justamente os grupos Los Bandidos, ao qual pertence o neonazi Mário Machado, e os Hell's Angels, os grupos envolvidos em confrontos no passado sábado num restaurante em Prior Velho. Mário Machado é também membro do grupo NOS – Nova Ordem Social, fundado após a sua saída do PNR, e encontra-se em liberdade condicional há menos de um ano.

A última grande operação da Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária foi em novembro de 2016, com a detenção de 17 neonazis acusados de agressões por motivos racistas. Mais de metade dos suspeitos eram novos recrutas da Portugal Hammerskins, a fação portuguesa do mais violento grupo de extrema-direita a nível mundial – todos os elementos foram libertados.