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Alemanha: motor da economia europeia perto da recessão

Dados revelam uma retração da produção industrial e de toda a atividade económica na Alemanha no segundo trimestre deste ano. Os sinais colocam a maior economia europeia perto da recessão, afetada por dificuldades no setor automóvel e pela guerra comercial EUA-China.
Torre de automóveis na fábrica Volkswagen de Wolfsburgo, 2011. Foto: Sdu7cb/Flickr.
Torre de automóveis na fábrica Volkswagen de Wolfsburgo, 2011. Foto: Sdu7cb/Flickr.

A atividade industrial na Alemanha está a dar sinais de retração, alimentando receios de que está a caminho uma recessão no país considerado a locomotiva económica europeia, arrastando para baixo a economia de todo o continente.

Após uma aceleração da atividade económica no primeiro trimestre do ano, a económica alemã retraiu-se no segundo trimestre mais que o esperado. Segundo dados do ministério da economia, a produção industrial caiu 1,8% e ficou 5,2% abaixo do nível há um ano atrás, devido a quebras de atividade em especial nos setores metalúrgico, de maquinaria e automóvel. A indústria de construção retraiu-se 1,1%, o consumo de energia desceu 5,9%. A quebra de atividade parece ser transversal aos setores de bens intermédios, de capital, e de consumo. Com estes indicadores, espera-se agora que os dados do PIB para o segundo trimestre, a divulgar na próxima semana, venham a revelar uma contração da economia.

As dificuldades na indústria automóvel, a guerra comercial EUA-China e a incerteza em torno do Brexit são os principais fatores a explicar o desempenho negativo da economia germânica. A indústria automóvel sofre ainda com o escândalo do dieselgate, que levou a multas pesadas, limites de emissões muito mais estritos, e uma fuga dos consumidores dos modelos a diesel que foram o cerne dos lucros durante anos, e de que está ainda muito dependente. A transição para modelos elétricos, setor em crescimento e nos quais os construtores estão a fazer grandes investimentos, não chega por enquanto para compensar a quebra no diesel.

O outro grande fator de abrandamento é geopolítico: a retração da procura externa, em especial da China, agravada pela escalada da guerra comercial ao país movida pelos EUA. Os EUA e a China são dois dos maiores destinos das exportações alemãs, o arrastar do conflito entre ambos retira espaço às exportações alemãs. Uma desvalorização da moeda chinesa, cenário que se começa a colocar, representaria um rude golpe nas exportações para aquele país.

A contração da indústria alemã começa a alastrar aos serviços e à economia como um tudo, acumulando descritos pela imprensa económica como preocupantes. Por enquanto, o governo alemão prevê um crescimento de 0,5% para este ano, já de si pequeno, e de 1,5% para 2020. Mas os analistas mostram-se mais pessimistas. Um analista do DekaBank afirmou à Reuters que a expetativa agora é de que a economia continue a contrair no terceiro trimestre do ano, perfazendo dois trimestres consecutivos de retração e com isso recessão. A confirmar-se, será a primeira recessão no país em seis anos. Com o peso da economia alemã, os efeito na zona Euro sentir-se-ão rapidamente.

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