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Alemanha lançará pacote de estímulos à economia para responder à ameaça de recessão

O Bundesbank avisa para a possibilidade de uma recessão na economia alemã. Para lhe responder, o governo alemão está preparado a abandonar a ortodoxia e soltar os cordões à bolsa. Esta recessão implicaria um forte impacto económico em Portugal já que este país é o nosso terceiro maior mercado.
Paisagem industrial em Völklingen, Alemanha, 2019.
Paisagem industrial em Völklingen, Alemanha, 2019. Foto de Philippe Lhote. Flickr.

Na passada segunda-feira, o Banco Central Alemão alertou, no seu relatório mensal, para a possibilidade da economia alemã entrar em recessão. No período entre abril e junho, a economia germânica comprimiu em 0,1%. Como o Bundesbank assinala que as encomendas industriais continuam em baixa, o quadro mais expectável é que a situação de declínio económico se arraste para o próximo trimestre. Um país entra em recessão técnica quando tem dois trimestres consecutivos com crescimento negativo na sua economia.

As exportações industriais são o principal motor da economia alemã. BMW, Volkswagen, Daimler, Bayer, Merck, Linde e o grupo ThyssenKrupp são algumas das marcas mais conhecidas do país. Os problemas económicos internacionais derivados do Brexit e da guerra comercial entre EUA e China, dois dos seus principais clientes, estão a fazer mossa à venda dos seus produtos, esclarece o Banco Central Alemão. Para além disto, a indústria automóvel ressente-se ainda do escândalo das emissões poluentes que atingiu a Volkswagen em 2015.

Para responder ao arrefecimento económico é esperado que o Banco Central Europeu avance com um pacote de estímulos monetários, incluindo cortes nas taxas de juro e compra de títulos. O governo alemão está também a preparar um programa de estímulos económicos, o que significa o abandono da obsessão do controlo orçamental que conduziu a superavits orçamentais. Olaf Scholz, o ministro das Finanças de Merkel, diz que o país vai atacar qualquer futura crise económica “com toda a força”. Acrescentou que o governo investiria o mesmo montante do que o utilizado para responder à anterior crise financeira. Em 2009, o governo desembolsou 50 mil milhões de euros de investimento. O que não disse foi em que é que o dinheiro vai ser gasto. Contudo, o site noticioso especializado em economia Bloomberg adianta que o investimento se vai centrar quer na eficiência energética das habitações quer nos descontos para a segurança social, tentando aumentar o poder de compra dos trabalhadores. O país é altamente dependente das exportações, que representam 47% do PIB, e teria muito a ganhar em reduzir esta dependência e fomentar o mercado interno. Para além da ausência de investimento público, a política de busca de deficits zero ou mesmo de superavits orçamentais tem levado à estagnação dos salários.

Tempestade na Alemanha, efeitos em Portugal

A Alemanha é a principal economia europeia. A sua entrada em recessão arrastaria o resto da Europa para uma situação negativa. Portugal, claro, não escapa aos problemas. A Alemanha não só nos vende os produtos industriais como também compra 10 mil milhões de euros de bens e serviços ao nosso país. É mesmo o terceiro maior mercado só superado por Espanha e França.

A Alemanha é também um investidor de peso nas empresas portuguesas. Isto para além do dinheiro deixado pelos turistas germânicos.

Algumas das empresas a laborar em Portugal que têm na Alemanha um mercado importante. Segundo uma lista feita pela AICEP, Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, entre as mais importantes estão: a Bosch Car Multimedia, de Braga, que vende sensores e multimédia, empregando 4800 trabalhadores; a Continental Mabor, fábrica de pneus de Famalicão, que emprega 2100 pessoas; a fábrica de calçado de Barcelos, Gabor Portugal, que emprega 1400; a Preh Portugal, fábrica de equipamentos eletrónicos para automóveis, da Trofa, que emprega 600 trabalhadores; a Grohe Portugal, que vende equipamento para casas de banho, que emprega 900 pessoas em Albergaria-a-Velha; a Repsol Polímeros, que fabrica plásticos no complexo de Sines, empregando 450; a Schaeffler Portugal das Caldas da Rainha que emprega 500 trabalhadores no setor dos rolamentos e engrenagens para carros; a Navigator, a famosa fábrica de papel, que emprega 2278; e o exemplo mais conhecido, a VW Autoeuropa de Palmela que emprega 300 pessoas.

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