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Alemanha exportou mil milhões de euros em armas para a guerra da Arábia Saudita só este ano

Em 2019, o governo alemão autorizou exportações de armas no valor de mil milhões de euros para países da coligação regional liderada pela Arábia Saudita que participa na guerra do Iémen. Isto apesar de, supostamente, haver restrições a este comércio. O Die Linke diz que esta aprovação é criminosa.
Ação contra a venda de armas alemãs para a guerra do Iémen, maio de 2019.
Ação contra a venda de armas alemãs para a guerra do Iémen, maio de 2019. Foto de Uwe Hiksche/Flickr

Segundo um documento do Ministério dos Assuntos Económicos, citado pela agência noticiosa alemã DPA, o Conselho Nacional de Segurança alemão aprovou 1.000 milhões de euros em exportações de componentes de armas para a coligação guerreira liderada pela Arábia Saudita.

Aliás, entre os 20 maiores clientes internacionais de “material de defesa” alemão citados por este ministério, nove estão envolvidos diretamente na guerra do Iémen. Foram comprovadas exportações no valor de, por exemplo, 801,8 milhões para o Egito e 26,1 milhões para os Emirados Árabes Unidos. Ulrich Nussbaum, um alto quadro deste ministério confirmou que entre os negócios aprovados consta a venda de veículos blindados no valor de 831 mil euros para a Arábia Saudita.

As vendas acontecem apesar do governo alemão ter supostamente banido as exportações para estes países e apertado o cerco às exportações para a Arábia Saudita em novembro passado, no seguimento do escândalo que se seguiu ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi num consolado deste país.

O problema é que todas as encomendas anteriores continuam intocadas e, sobretudo, que há um alçapão simples por onde é possível escapar à moratória: sistemas que tenham sido desenvolvidos em conjunto com outros países não estão incluídos nesta proibição. Para além disso, o Conselho Nacional de Segurança alemão, órgão que reúne secretamente para aprovar as exportações de armas, pode decidir exceções às suas próprias regras.

À esquerda, a exportação de armas para a guerra do Iémen enfrenta contestação. A vice-presidente do grupo parlamentar do Die Linke, Sevim Dagdelen, descreveu a sua aprovação como “simplesmente criminosa e uma violação da lei europeia em vigor.”

E, para além do material que é autorizado pelo governo, há muito armas alemãs a entrar na guerra do Iémen. Uma investigação do Deutsche Welle publicada em fevereiro passado revelava que há armas alemãs que são usadas na guerra do Iémen e que escaparam aos controlos de vendas.

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