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Alemanha: Começa julgamento de grupo terrorista de extrema-direita

Doze pessoas são acusadas de estarem a planear atentados contra mesquitas, refugiados e dirigentes políticos. Queriam provocar uma “guerra civil”. Segundo um relatório policial, a violência da extrema-direita atingiu o ano passado um nível histórico.
Herbert Anderer, juíz do caso do Grupo S., abril de 2021, Estugarda. Foto de PHILIPP GUELLAND/EPA/Lusa.
Herbert Anderer, juíz do caso do Grupo S., abril de 2021, Estugarda. Foto de PHILIPP GUELLAND/EPA/Lusa.

O processo começou esta terça-feira mas vai arrastar-se pelo menos até agosto. No banco dos réus de um tribunal de Estugarda estão doze elementos de um grupo de extrema-direita, o “Grupo S”. Segundo a acusação, este grupo planeou ataques a mesquitas, refugiados e políticos com o objetivo de “subverter a ordem política e social” e provocar “situações similares a uma guerra civil”.

O grupo foi batizado com aquele nome devido ao seu líder Werner S., um vendedor de sucata de 55 anos que se descreve como “um espírito livre com inclinações para o Nacional Socialismo”. Em fevereiro passado, pouco antes de ser preso, tentou comprar uma Kalashnikov, duas mil munições, uma metralhadora e granadas de mão, tudo no valor de 50 mil euros. Um arsenal que se iria somar às 27 armas que já estavam em posse do grupo formado em setembro de 2019.

O objetivo era atacar centros de refugiados e até a sede do Parlamento alemão foi um dos alvos equacionados, seja em reuniões presenciais ou através de aplicações de mensagens.

Enfrentam agora a acusação de terrorismo, para além de posse ilegal de armas. O procurador responsável pelo caso diz que estes homens tinham “uma atitude abertamente nazi”. Alguns têm tatuagens com este tipo de simbologia, uma suástica, imagens de Hitler fardado, a palavra "ariano" e uma bandeira do Império Alemão.

O surgimento deste grupo não é uma exceção. A violência de extrema-direita está em crescendo, tendo atingido um pico o ano passado, como demonstra um relatório policial publicado em fevereiro. Os casos vão-se somando, uns mais mediatizados do que outros, como o assassinato do democrata cristão Walter Lübcke por defender políticas favoráveis aos migrantes, o assassinato em 2019 de duas pessoas num ataque a uma sinagoga, o massacre de dez pessoas em Hanau, em fevereiro do 2020, nove delas em dois bares de shisha.

As autoridades alemãs consideram mesmo a extrema-direita como a principal ameaça de segurança ao país e as investigações mostraram infiltrações de elementos destes grupos nas polícias e grupos especiais das forças armadas.

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