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AIP apoia redução da TSU, mas não fala de criar emprego

Industriais falam em ganhos de competitividade, mas não mencionam criação de emprego. Grandes empresários, como Van Zeller ou Belmiro de Azevedo, discordam das medidas e falam em impacto negativo.
Belmiro de Azevedo: andam a navegar à vista. Foto de wiebkehere

A Associação Industrial Portuguesa (AIP) congratulou-se com as alterações à taxa social única, que aumenta para os trabalhadores e é reduzida para os empresários, afirmando que esta medida vai reduzir os custos de mão-de-obra e aumentar a competitividade.

"A competitividade da economia portuguesa deve basear-se na diferenciação e no crescimento de valor, o que é claramente compatível e reforçado com enormes ganhos de produtividade, com contextos salariais mais favoráveis e competitivos", afirma a entidade em comunicado, em que não menciona uma única vez a justificação que o governo deu para a medida – o crescimento do emprego.

Empresários criticam

A posição assim expressa, uma das raras de apoio, contrasta com outras entidades patronais e grandes empresários que foram críticos às medidas. O ex-presidente da CIP Francisco Van Zeller, por exemplo, discordou delas e disse não entender como a redução da Taxa Social Única vai criar emprego.

“Só os exportadores deveriam ter esta redução”, afirmou. E disse mesmo que “nem as grandes empresas agradecem”. No fundo, sublinhou, as medidas acabaram por ser uma forma de “reduzir salários”, que era uma das imposições do Fundo Monetário Internacional.

Navegação à vista

Já o chairman da Sonae, Belmiro de Azevedo, afirmou que não há uma avaliação dos impactos das medidas, alertando que apenas se faz “navegação à vista” e há “erros permanentes”. Para o empresário, “quando se tira dinheiro ao povo falta dinheiro para comprar coisas, quer seja na economia quer seja nas empresas”, o que depois “tem um impacto tremendamente negativo para a atividade económica, que desaparece”, sublinhou.

Sublinhe-se que de acordo com um estudo feito pelo BES Investimento, a empresa de Belmiro de Azevedo poupa 20 milhões de euros, com a redução da TSU. Mas o empresário demonstra que fez as contas e que os efeitos recessivos das novas medidas nem de perto compensam a prenda que recebe do governo.

Um estudo publicado recentemente no Diário de Notícias, mostra que dos 2300 milhões de euros que as empresas vão poupar com a redução da TSU, as grandes empresas benficiam-se de cerca de 800 milhões.

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