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Água: tarifários em alta, trabalhadores e consumidores em baixa

Os trabalhadores das Águas do Algarve fizeram greve e manifestaram-se esta quarta-feira. Enquanto os seus salários e carreiras estão estagnados, em três anos a empresa obteve lucros de mais 415 milhões. Por Vítor Ruivo.
Concentração dos trabalhadores da Águas do Algarve.
Concentração dos trabalhadores da Águas do Algarve.

Os trabalhadores da empresa Águas do Algarve estão esta quarta-feira em greve. Uma delegação de cerca de 40 trabalhadores marcou presença esta manhã em frente à sede da empresa, em Faro, manifestando o seu protesto pela situação atual e exigindo o reinício de negociações com o sindicato.

Enquanto permanece a incerteza sobre aumentos do tarifário neste ano, penalizando ainda mais os consumidores, os trabalhadores do Grupo Águas de Portugal permanecem com os salários e as carreiras quase estagnados. No entanto, só entre 2018 e 2021, a empresa obteve lucros de mais de 415 milhões de euros.

Os trabalhadores da Águas do Algarve reivindicam aumentos salariais, desenvolvimento das carreiras, atribuição do subsídio de penosidade, insalubridade e risco, transparência e informação prévia nas escalas e nos horários, fim nas desigualdades arbitrárias de salários e direitos entre trabalhadores com as mesmas funções, admissão de mais trabalhadores, etc.

Na concentração foram dados exemplos dessas situações, nomeadamente de trabalhadores há quinze e mais anos sem aumentos nem progressão nas carreiras, bem como de carências de pessoal.

Para garantir os seus lucros, a Administração do Grupo diz que não “pode” dar atenção às necessidades dos seus “colaboradores”. Na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho as suas propostas foram mínimas, desprezando a perda de poder de compra dos trabalhadores, ano após ano. Perante as propostas e exigências do sindicato, chegou ao cúmulo de, na última reunião, retirar as propostas apresentadas, deixando as negociações num impasse.

Tudo isto levou os trabalhadores a fazerem esta greve e a concentração. Nela, os dirigentes sindicais resumiram o posicionamento da Administração e as reivindicações laborais, tendo sido aprovada unanimemente pelos trabalhadores uma resolução que foi entregue à Administração, numa reunião realizada de seguida.

Após a reunião, a delegação sindical informou os trabalhadores de que, ao contrário de anteriormente, os elementos da Administração da Águas do Algarve se manifestaram mais abertos às pretensões dos trabalhadores, chegando até a afirmar a sua concordância com algumas delas. O que levou a risos e exclamações de ironia, por só agora, com a greve e o protesto, chegarem a essa conclusão.

Para a continuação das negociações, o Sindicato irá marcar nova reunião com a Administração, esperando-se que esta possa ceder mais às reivindicações apresentadas.

Caso contrário, tanto o sindicato como os trabalhadores presentes afirmaram a intenção de continuar as ações de luta. Estas passarão, desde já, pela participação na greve nacional do sector, no próximo dia 30, e pela manifestação nacional da CGTP convocada para dia 7 de Julho.

Na concentração, estiveram presentes representantes do Bloco de Esquerda do Algarve e do PCP, expressando aos trabalhadores e ao sindicato a sua solidariedade e apoio à luta e às reivindicações apresentadas.

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