Água do Mediterrâneo bate novo recorde de temperatura

27 de julho 2023 - 11:06

O principal instituto de investigações marítimas espanhol informou que esta segunda-feira se registou um novo recorde de temperatura mediana diária da superfície do mar no Mediterrâneo, de 28,71ºC. Elevadas temperaturas ameaçam os ecossistemas marinhos.

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Foto de LuidmilaKot, Pixabay.

O Instituto de Ciências do Mar (ICM), com sede em Barcelona, explicou à France-Presse que os dados ainda devem ser confirmados pelo Copernicus, o Programa de Observação da Terra da União Europeia. Ainda assim, os investigadores Justino Martinez e Emilio García frisaram estar convencidos de que “a média não estará muito enviesada e de que a indicação da temperatura até o primeiro decimal é globalmente correta".

Os cientistas preferem usar um valor mediano e não médio, de 28,40ºC na segunda-feira, na medida em que está menos "perturbado por valores atípicos", ou seja, pelos registos de temperaturas extremas em pontos isolados do Mediterrâneo.

Entre a ilha de Sicília e a cidade de Nápoles, em Itália, por exemplo, registaram-se zonas com mais de 30ºC, o equivalente a 4ºC acima do normal.

Elevadas temperaturas ameaçam os ecossistemas marinhos

Um estudo publicado em julho de 2022 na revista Global Change Biology revelou que cerca de 50 espécies, entre os quais corais, leques de mar, ouriços do mar, moluscos ou bivalves, viram-se afetadas por mortalidade em massa entre a superfície e os 45 metros de profundidade.

O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas explica que, “desde a década de 1980, os ecossistemas marinhos mediterrâneos têm sofrido mudanças drásticas, com um declive da biodiversidade e a chegada de espécies invasoras".

Num cenário de aquecimento global de 1,5°C face à era pré-industrial, mais de 20% de todos os peixes e invertebrados no Mediterrâneo oriental podem desaparecer localmente antes de 2060. E as receitas da pesca podem descer 30% até 2050, advertem os peritos da ONU.

Pensa-se que “a origem das ondas de calor marinhas é principalmente, mas não exclusivamente, atmosférica (...) É um tema de debate, mas, se for o caso, só uma redução das ondas de calor atmosféricas conduzirá a uma redução das ondas de calor marinhas", apontam os investigadores do ICM.