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Agrava-se a situação dramática dos migrantes na Bósnia

Desde 23 de dezembro que cerca de 900 migrantes estão a sobreviver no que resta do campo de Lipa, destruído pelo fogo. Para além das condições dramáticas em que vivem, há cada vez mais pessoas doentes.
Migrantes em “Lipa” na Bósnia – foto da Amnistia Internacional
Migrantes em “Lipa” na Bósnia – foto da Amnistia Internacional

Os migrantes do campo que ardeu, em Lipa, continuam a não conseguir sair desse local e permanecem sem as mínimas condições de vida humana. Estes migrantes pretendem vir para a União Europeia, que lhes fechou as portas. E as autoridades da Bósnia-Herzegovina não permitem que vão para outro campo, nomeadamente para um campo localizado em Bihac.

Para além da falta de alimento, aquecimento e condições de higiene, as doenças aumentam entre os migrantes, devido às condições dramáticas em que estão a viver.

Verica Recevic, do Conselho Dinamarquês para os Refugiados, disse à Euronews que a maioria das doenças são infecciosas e transmissíveis. Há pessoas com sarna e doenças provocadas por piolhos, há também pessoas com tosse e febre e com infeções respiratórias, devido à inalação de fumo.

Quanto à covid-19, Verica Recevic diz que, nestas circunstâncias, não é fácil distinguir se é coronavírus ou outro tipo de infeção respiratória.

A Amnistia Internacional alerta ainda que na Bósnia-Herzegovina há cerca de 2.500 pessoas migrantes, incluindo 900 em Lipa, a dormir em condições perigosamente frias. “Lipa é um lugar insuportável”, alerta a Amnistia, defendendo que a União Europeia e a Bósnia têm de encontrar "soluções duradouras para os migrantes.” A AI faz também ligação para uma reportagem do New York Times.

Na passada segunda-feira, segundo a Euronews, o alto representante para a Política Externa da União Europeia, Josep Borrell, pediu ao presidente da Bósnia-Herzegovina “soluções sustentáveis” para os migrantes, ameaçando que sem elas a “reputação” do país sofrerá “graves consequências”.

Borrell sublinhou ainda que a União Europeia deu mais de 88 milhões de euros para equipar o centro de refugiados de Bira, na cidade de Bihac, lamentando que não esteja a ser usado para acolher os migrantes.

Tal como faz com a Turquia, a UE está a dar dinheiro ao governo da Bósnia-Herzegovina para que os migrantes não cheguem ao centro da Europa. Por isso, é profundamente responsável pela situação que estes migrantes estão a viver.

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