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Afeganistão: Soares defende regresso imediato das tropas portuguesas

O ex-presidente defende que Portugal deve seguir o exemplo da Holanda e retirar as suas tropas o "quanto antes" do Afeganistão, saindo duma guerra a que a NATO "dificilmente sobreviverá". Um relatório da ONU revelou que só nos primeiros seis meses de 2010, o número de mortos entre a população civil aumentou 31% em relação ao ano passado.
A ONU revelou um relatório sobre as baixas civis no primeiro semestre deste ano, registando ao todo 1271 mortes e cerca de 2000 feridos. Foto lafrancevi/Flickr

Mário Soares diz que a situação do Afeganistão "é pior" do que a da invasão do Iraque "porque envolve duas organizações internacionais: a NATO, que dificilmente sobreviverá ao colapso do seu empenhamento no Afeganistão; e a ONU, que deu o aval a uma guerra que tinha obrigação de saber que terminaria mal".

Quanto às razões do fracasso da ocupação, Soares não tem dúvidas. "Porquê? Porque, essencialmente, os americanos, como a NATO, nunca conseguiram ser vistos como libertadores mas sim como invasores".

"A Holanda teve a coragem de anunciar a retirada do seu contingente no Afeganistão, até ao fim de Dezembro. Portugal, no meu modesto entender, devia fazer o mesmo. Quanto antes", assim conclui o ex-presidente da República no seu artigo de opinião publicado esta terça-feira no Diário de Notícias.

Entretanto, a ONU revelou um relatório sobre as baixas civis no primeiro semestre deste ano, registando ao todo 1271 mortes e cerca de 2000 feridos. A ONU diz ainda que boa parte das baixas foram causadas pela acção dos insurgentes talibãs, com as tropas da NATO e do governo afegão a serem responsabilizadas por 386 mortos e feridos.

"Estes números mostram que os talibãs estão a recorrer a medidas desesperadas, com a crescente execução e assassínio de civis, incluindo professores, médicos, funcionários públicos e líderes tribais", disse ao jornal Guardian a responsável da ONG Human Rights Watch na região.  "Alvejar civis viola as leis da guerra e o próprio código de conduta dos talibãs", acrescentou Rachel Reid.

Um dos dados a reter do primeiro semestre é a diminuição das mortes por bombardeamentos aéreos da NATO, em resultado directo da ordem do general McChrystal para limitar o seu uso. Mesmo assim, este tipo de ataques foi responsável por um terço das mortes causadas pelas tropas de ocupação.
 

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