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Aeroporto é um perigo ambiental e enquanto infraestrutura e não deve ser construído

Catarina Martins afirmou que o Governo não conta com o Bloco para uma alteração legislativa para impor o aeroporto do Montijo, e que a solução tem de ser em nome do interesse público e do ambiente e não pode ser feita à medida da empresa Vinci.
Catarina Martins na sessão de encerramento do Inconformação. Foto de Ana Feijão.
Catarina Martins na sessão de encerramento do Inconformação. Foto de Ana Feijão.

Durante a sessão de encerramento do Inconformação, a coordenadora bloquista lembrou que a Avaliação do Impacte Ambiental do aeroporto do Montijo revela “coisas muito preocupantes sobre a biodiversidade, sobre algumas espécies, nomeadamente aves, preocupantes sobre o futuro, porque a zona onde se quer fazer o aeroporto é uma zona que poderá ficar submersa em alguns anos”.

Catarina Martins afirmou que também é preocupante que se verifique que o aeroporto do Montijo não substitui, de forma alguma, uma extensão do aeroporto de Lisboa, “e, portanto, não serve para aquilo que nos tinham dito que ia servir, que era tirar tantos aviões do mesmo sítio, com todos os problemas ambientais que isso causa”.

A dirigente do Bloco sinalizou ainda que a construção deste aeroporto não é permitida com a lei que existe atualmente: “A legislação diz, e bem, que as populações locais têm de ser ouvidas quando alguma coisa tem um impacto tão grande sobre a sua saúde, como acontece com o aeroporto”, frisou.

Assim sendo, continuou, “para avançar com o aeroporto do Montijo há duas soluções: ou se muda a lei ou não se avança e tem de se encontrar uma alternativa”.

De acordo com Catarina Martins, o que está realmente em causa, é que a Vinci, a empresa a que foram vendidos os aeroportos portugueses, sabe que tem de fazer um novo aeroporto e quer fazer o aeroporto mais barato possível.

Não é, portanto, verdade que fazer o aeroporto no Montijo seja seguro, que seja uma boa solução no que respeita à circulação dos aviões, às questões ambientais, à subida das águas a longo prazo, como também não é verdade que sirva para retirar os aviões de Lisboa, até porque já estão a estender o aeroporto Humberto Delgado para receber mais aviões.

O aeroporto ser, isso sim, “para aumentar o número de aviões, a poluição, o ruído, para mais populações”, lamentou Catarina Martins, salientando que um “aeroporto que é um perigo ambiental e é um perigo enquanto infraestrutura não deve ser construído”.

“Não há 48 milhões de contrapartidas que a Vinci tenha de pagar que possam, de maneira nenhuma, contrabalançar todos os custos que esse aeroporto tem”, assinalou a coordenadora bloquista, defendendo que, se há pressa em construir um novo aeroporto, porque, de facto, o aeroporto da Portela não devia estar onde está e não devia ter a capacidade que tem, existem outras soluções já estudadas anteriormente, como é o caso do Campo de tiro de Alcochete.

Catarina Martins garantiu que o Governo “não conta com o Bloco para uma alteração legislativa para impor o aeroporto do Montijo contra as populações e contra os ambientalistas e contra a segurança das pessoas”. Conta sim com o Bloco para “uma solução que já está estudada, que não tem de ser mais lenta e que do ponto de vista ambiental e da segurança tenha provas nos vários estudos feitos”.

“A solução tem de ser em nome de Portugal, do interesse público, do ambiente e não pode ser feita à medida da Vinci, que comprou os aeroportos ao preço da chuva e quer fazer o máximo dinheiro que pode à custa do nosso país para se depois correr mal ir para outro sítio qualquer”, rematou.

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