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Advogado de Neto de Moura passou a integrar a Comissão de Direitos Humanos da Ordem

Ricardo Serrano Vieira tornou-se conhecido pela defesa do juiz dos polémicos acórdãos sobre violência doméstica e por ataques a feministas. Destaca-se também por posições xenófobas e racistas. Foi convidado pelo atual bastonário, Luís Menezes Leitão.
O advogado do juiz Neto de Moura passou a integrar a Comissão de Direitos Humanos da OA, por convite de Menezes Leitão, atual bastonário
O advogado do juiz Neto de Moura passou a integrar a Comissão de Direitos Humanos da OA, por convite de Menezes Leitão, atual bastonário

Foi o “Diário de Notícias” que revelou, na passada quinta-feira 30 de abril, em artigo assinado por Fernanda Câncio, que Ricardo Serrano Vieira passou a integrar a Comissão de Direitos Humanos da Ordem. A jornalista lembra afirmações escritas por Ricardo Serrano Vieira durante o caso Neto de Moura e escreve que este advogado “tem-se notabilizado também por afirmações pouco consentâneas com a defesa dos direitos humanos”.

No artigo, recorda-se que Serrano Vieira escreveu na sua página no facebook que as feministas que criticavam Neto de Moura e os seus lamentáveis acórdãos eram “lambedoras de cricas”. Recorde, a propósito, os polémicos acórdãos de Neto de Moura (Leia o artigo do esquerda.net, Top 16 das alarvidades de Neto de Moura)

Segundo a notícia do DN, Ricardo Serrano Vieira escreveu também sobre o “uso de armas de fogo por forças policiais”, citando Wilson Witzel, atual governador do Rio de Janeiro, "A polícia vai mirar na cabecinha e... fogo" e concluindo: "Os suspeitos de crimes violentos sabem que cada vez que um agente de autoridade faz uso da arma arrisca-se, seriamente, a vir a ser condenado disciplinar e criminalmente mesmo que tenha apenas e somente como propósito o cumprimento da Lei."

O DN refere ainda que Ricardo Serrano Vieira defendeu o agente da GNR que foi condenado, em 2008, por matar uma criança cigana, está a defender os agentes da PSP que mataram acidentalmente uma cidadã brasileira e tem atualmente o caso dos inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), indiciados pelo homicídio do cidadão ucraniano Ihor Homenyuk no aeroporto de Lisboa.

Ricardo Serrano Vieira partilhou um texto de opinião do semanário Sol, que intitula o novo coronavírus de "vírus do partido comunista chinês", comentando no facebook: "Não sou xenófobo nem racista. Apenas constato factos. Já sei: são fake news. Pois está claro."

Apesar da sua prática e das suas posições, o atual bastonário da Ordem dos Advogados decidiu convidá-lo para a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados (CDHOA).

Questionado pela jornalista, Luís Menezes Leitão diz que não conhece as posições que Ricardo Serrano Vieira escreveu no facebook e acrescenta: "Tenho as maiores dúvidas em valorizar o que aparece no Facebook, não o convidei pelo que escreve no Facebook. Não vou tomar nenhuma posição sobre o assunto, que estou a ouvir pela primeira vez, irei verificar. Mas a existir é um problema da comissão."

O presidente da CDHOA, José Trincão Marques, desconhecia as posições assumidas por Ricardo Serrano Vieira, faz uma distinção entre “uma posição tomada antes de integrar a comissão de outra tomada depois da tomada de posse”, mas considera-se chocado com o que o advogado de Neto de Moura escreveu em relação às feministas. "Não aceito que se ande a insultar pessoas. Posiciono-me do lado dos direitos fundamentais, e desconhecia essas declarações. Efetivamente há um excesso e é censurável”, diz.

 

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