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“Adiar é bom, não haver TTIP é melhor!”

Debate do relatório sobre o TTIP no Parlamento Europeu é adiado, por decisão do presidente Martin Schulz e votação apertada no plenário. Movimentos sociais e dos cidadãos comemoram adiamento como uma vitória e um sinal de que as suas reivindicações começam a ser levadas a sério e receadas. Marisa Matias participou na manifestação à porta do PE.
Marisa Matias participou esta terça numa nova manifestação contra o TTIP
Marisa Matias participou esta terça numa nova manifestação contra o TTIP

A votação do Relatório do Parlamento Europeu sobre o TTIP foi adiada por decisão do presidente do PE, Martin Schulz, com recurso a uma manobra regimental, que prevê que quando são apresentadas mais de 50 emendas a um relatório para debate plenário, o Presidente poderá solicitar à comissão competente que se reúna para proceder à sua apreciação.

A decisão apanhou todos de surpresa, porque até àquele momento ninguém tinha reclamado da quantidade de emendas e de pedidos de votos, as listas de voto estavam preparadas, tudo estava pronto e operacional para que a votação decorresse sem qualquer problema.

A versão final do relatório do Parlamento Europeu sobre o TTIP foi aprovada em 28 de Maio pela Comissão de Comércio Internacional – INTA. Entretanto, os vários grupos parlamentares apresentaram mais de 150 emendas para plenário, bem como pedidos de votação por partes ou em separado.

A maior parte das emendas apresentadas visavam dar voz à preocupação dos movimentos sociais e dos cidadãos relativas ao TTIP, nomeadamente quanto ao ISDS (tribunais arbitrais para as grandes corporações).

Nesta terça-feira, Martin Schulz resolveu levar o adiamento do debate à votação no Plenário. Este foi aprovado com os votos favoráveis de 183 eurodeputados, 181 contra e 37 abstiveram-se.

Ganhar tempo

A decisão de adiamento pretendeu ganhar tempo, porque a grande coligação pró-TTIP (Comissária Malmström, PPE, ECR, ALDE e parte dos Sociais&Democratas) receou que o Parlamento Europeu pudesse aprovar algumas linhas vermelhas.

Segundo o El Diário, o adiamento teve a ver também com as divisões entre os socialistas, com muitos deputados daquele grupo falando em votar contra o relatório. O jornal dá como exemplo a eurodeputada francesa Pervenche Bères, próxima a François Hollande, que disse ao jornal: “Neste momento, estamos contra o TTIP”.

À porta do Parlamento Europeu, manifestantes dos movimentos sociais e eurodeputados da esquerda, como Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, comemoraram o adiamento, como uma boa medida, mas sublinhando que o melhor mesmo é dizer não ao TTIP.  

STOP TTIP - Marisa Matias 2015.06.10

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