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Adesão total à greve contra videovigilância ilegal e assédio na Raditaxis

No primeiro dia de greve dos trabalhadores de call-center da Raditaxis, o Bloco exigiu a atuação vigorosa da Autoridade para as Condições de Trabalho e da Comissão Nacional de Proteção de Dados sobre a situação alvo de queixas.
Foto Esquerda.net

As e os trabalhadores de call-center da Raditaxis, com instalações na cidade do Porto, estão esta sexta-feira e sábado em greve.

Em causa estão dezasseis pessoas que respondem por praticamente todo o país, com horários rotativos que afirmam serem frequentemente alterados de uma hora para a outra. Estes trabalhadores queixam-se de que não têm pausas adequadas para se ausentarem do posto de trabalho para almoçar, mas também de serem assediados moralmente com frequência. A isto junta-se a denúncia da utilização ilegal de câmaras de vídeo para controlá-los num local onde não existe atendimento presencial ao público.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV) denuncia que estes trabalhadores são alvo de uma relação autoritária, intimidatória de “perseguição”.

De acordo com a estrutura sindical, os turnos rotativos são alterados constantemente sem qualquer possibilidade de conciliação entre vida profissional e vida pessoal e familiar. Acresce que estes trabalhadores apenas atendiam chamadas relativas a pedidos de táxis do Grande Porto e foram posteriormente, desde setembro de 2021, canalizados para chamadas de todo o país, nomeadamente as regiões autónomas. Esta alteração representa um aumento exponencial do trabalho para o mesmo número de pessoas, o que leva a que nem pausas para refeição existam.

Recentemente, houve trabalhadores que foram alvo de processos disciplinares por “deslealdade”, o que afirmam não se coadunar com a total disponibilidade e até ausência de resistência aos ditames da gestão da associação, sem ver em troca qualquer reconhecimento mínimo dessa disponibilidade no salário e nas condições de trabalho.

Esta situação levou a que as trabalhadoras e trabalhadores se juntassem agora numa greve que regista 100% de adesão esta sexta-feira.

Bloco quer atuação vigorosa da ACT e CNPD

A dirigente do Bloco de Esquerda Maria Manuel Rola, que esteve com as e os trabalhadores da Raditaxis, defendeu que “a atuação reportada exige uma atuação vigorosa da Autoridade para as Condições de Trabalho, mas também da Comissão Nacional de Proteção de Dados, que deve punir exemplarmente o recurso a câmaras de vigilância nos postos de trabalho”.

“E é com a pressão para essa intervenção com que o Bloco de Esquerda se compromete para além de toda a solidariedade com a luta por trabalho e tratamento digno que decorre estes dias”, garantiu.

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