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Ada Colau reeleita em Barcelona

A alcaidessa de Barcelona vai cumprir um segundo mandato à frente da cidade, beneficiando das divisões em torno da questão independentista. O apoio de setores liberais e anti-independência gerou desconforto, que não escondeu na tomada de posse.
Ada Colau na tomada de posse, 15 de junho de 2019 - Foto retirada do seu twitter
Ada Colau na tomada de posse, 15 de junho de 2019 - Foto retirada do seu twitter

Ada Colau foi reinvestida este sábado como alcaidessa, ou seja presidente da câmara de Barcelona. Apesar de ter ficado em segundo lugar nas eleições do passado dia 26 de maio, atrás da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), os equilíbrios de forças em torno da questão independentista acabaram por devolver a Colau as chaves da Plaza da Sant Jaume, sede do município.

Nas três semanas após as eleições, o jogo de acordos para obter uma maioria foi tenso. Com 41 lugares de concejales ou vereadores em jogo, a ERC de Ernest Maragall e a Barcelona en Comú de Ada Colau ficaram ambas com 10 lugares — mas a ERC teve mais quatro mil votos. Seguiram-se o PSC, braço catalão do PSOE, com 8 lugares; a direita liberal anti-independência do Barcelona pel Canvi–Ciudadanos, lista conjunta entre Ciudadanos e independentes liderada pelo ex-primeiro-ministro de França Manuel Valls, com 6 lugares; a direita independentista do Junts per Catalunya, do exilado Carles Puigdemont, com cinco vereadores; e por fim o PP, com dois.

Com este equilíbrio de forças, seria sempre preciso três partidos para obter uma maioria de pelo menos 21 concejales. A indisponibilidade para acordos entre ERC e PSC acabou por entregar o poder a Ada Colau, a partir do momento em que Manuel Valls ofereceu os seus votos para apoiar a sua investidura, em nome de não entregar o poder ao independentismo. Este sábado, Colau foi investida pela margem mínima de 21 votos, com o apoio da sua lista, do PSC, e de três membros da lista de Valls — o próprio Valls e outros dois independentes, enquanto os restantes três votos do Ciudadanos foram em branco.

A linha de diálogo construtivo na questão independentista, que polarizou fortemente a política espanhola nos últimos anos e prejudicou o Unidas Podemos noutras regiões, acabou na Catalunha por jogar a favor de Colau. A seu favor jogou também o desempenho à frente da câmara no mandato anterior, que lhe permitiu manter um nível de apoio alto numa conjuntura de recuo da sua família política. Mas o apoio de Valls gerou desconforto nas hostes Comúnes, que ela mesma reconheceu.

Colau foi investida num ambiente sem a confiança de há quatro anos atrás, e no seu discurso distanciou-se de Valls: "Agradeço os votos. Mas não fomos à procura deles, e não escondemos que nos incomodavam", afirmou segundo o diário espanhol Público. Reconheceu ainda que esta não foi a forma ideal de chegar ao poder, e lamentou não ter conseguido um acordo tripartido com a ERC e o PSC, ao contrário de outros locais no país. Afirmou ainda assim ter como o objetivo um "amplo acordo das esquerdas" para governar a cidade.

Colau procurou também manter pontes com os setores independentistas, fazendo referência ao procés que alguns dos seus líderes enfrentam na justiça, alguns na prisão e outros no exílio: "Dizem que somos equidistantes, mas não nos sentimos de forma nenhuma neutros. Por outro lado, não serei de modo algum uma alcaidessa independentista ou anti-independentista". Noutro gesto de aproximação, Colau referiu que pretendia voltar o colocar na fachada da câmara o laço amarelo, símbolo da luta catalanista, gesto que reconheceu como "excecional" mas necessário face à "existência de presos políticos, que é uma situação de excecionalidade política que não se pode normalizar". Durante a cerimónia, os independentistas manifestaram-se à porta na Plaza de Sant Jaume.

Já esta segunda-feira, o Ciudadanos anunciou a rutura com Manuel Valls devido ao apoio à investidura de Ada Colau, partindo a sua bancada autárquica em dois. Os três eleitos pelo Ciudadanos que não votaram pela investidura passarão a ser a "voz de Ciudadanos no Ayuntamiento", afirmou em conferência de imprensa a dirigente do partido Inês Arrimadas.

Discurso de tomada de posse de Ada Colau na íntegra.

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