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Açores:“Autonomia podia ter limitado danos da governação PSD/CDS”

No debate realizado este domingo na RTP/Açores com Vasco Cordeiro, do PS, a candidata do Bloco reafirmou a necessidade de “transparência” na administração pública e criticou o falso empreendedorismo que “é uma forma de os privados viverem de rendas pagas pelo erário público”.

Zuraida Soares começou por afirmar que a maioria absoluta do PS tem impedido que muitas propostas concretas que melhorariam significativamente a vida dos trabalhadores e aposentados da região, dos utentes do Serviço Regional de Saúde (SRS), dos alunos e docentes não têm sido aprovadas pelo Partido Socialista.

“Na região há uma super-maioria absoluta que não está obrigada a um exercício de humildade democrática nem aceita nenhum tipo de diálogo”, disse.

“As iniciativas legislativas apresentadas na Assembleia Legislativa não são toneladas de cimento através das quais se mede o desenvolvimento” sublinhou a coordenadora do Bloco Açores, tendo acrescentado que “o grau de desenvolvimento da região não se medo ao peso porque aquilo que é relevante é o conteúdo das propostas”.

Sobre a situação social existente no Açores, a candidata bloquista disse que “ ela está pior como aliás em todo o país”.

“Não esqueçamos que o país e esta região atravessaram quatro anos em que se perdeu tudo”, disse, tendo recordado “a perda de empregos, a degradação dos serviços de saúde, de acesso à educação e a degradação das pensões”.

“Devido às políticas troikistas e austeritárias levadas a cabo pelo anterior governo do PSD/CDS ficámos nas lonas”, afirmou.

Para a coordenadora do Bloco Açores, a região está em pior situação porque o governo regional “não utilizou a autonomia para limitar o efeito dessas políticas tanto quanto poderia ter feito”.

Confrontada com a questão de ser favorável ou não aos programas ocupacionais, Zuraida Soares disse ser a favor nos seus “objetivos genuínos” e contra a forma como estes programas têm sido “usados e abusados” pelo governo regional, pela administração regional e pelos empregadores da região porque os transformaram na “escravatura do século XXI”.

Zuraida Soares disse que o Bloco pretende impedir que as empresas que concorrem diretamente aos serviços públicos da região, seja na saúde, na educação ou nas energias sejam apoiadas com dinheiros públicos para evitar a criação de rendas.

“Venham para cá as empresas privadas e invistam na região”, disse Zuraida Soares que, no entanto, criticou o “empreendedorismo que vive à custa de rendas pagas com o dinheiro de todos”.

E citou os casos da energia e da radioterapia que têm "rendas permanentes", depois de terem tido mais de metade do seu investimento pago com dinheiros públicos.

“Depois de todo este investimento, os Açores têm os tratamentos de radioterapia mais caros do país", sublinhou.

A dirigente bloquista advogou ainda a necessidade de adotar novas regras nos concursos para a administração pública e em relação à exploração do mar dos Açores referiu que o Bloco tem uma ante-proposta de lei que visa introduzir alterações no estatuto político-administrativo para, entre outros assuntos, obrigar a que as decisões do governo da República sobre o mar da região tenham que ter a “concordância obrigatória” do governo regional.

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