António Lima apontou responsabilidades ao Governo do PS, que ao deixar os professores durante longos anos em situação de precariedade, com contratos a prazo, acaba por empurrá-los para fora da Região.
“Faltam professores em todas as ilhas”, afirmou o candidato do Bloco, que revelou estarem abertos mais de cinquenta concursos - fora do concurso normal para a colocação de professores – para horários completos, e que se destinam também a professores que não têm habilitação para dar aulas.
“Isto é extremamente grave e tem uma causa: a recusa sistemática do Governo do PS em integrar nos quadros os professores contratados”, referiu António Lima.
“Cerca de 20% dos professores nos Açores têm contrato a prazo. Estes professores que ao fim de cinco, dez, quinze anos, continuam a ser precários acabam por abandonar a Região”, explicou o candidato, após uma reunião com o Sindicato Democrático dos Professores dos Açores para avaliar o início do ano letivo.
Para acabar com esta sistemática falta de professores nos Açores, o Bloco de Esquerda apresenta três propostas: a integração de todos os professores ao fim de três anos de contrato, como já acontece no continente, a atribuição de incentivos para a fixação de professores na Região – uma medida que está prevista na lei, mas que nunca foi aplicada –, e a elaboração de um Plano de Formação de Professores, em parceria com a Universidade dos Açores, para que, olhando para o futuro, seja garantida formação dos professores que serão necessários no sistema regional de ensino.
“Uma região que tem quase o triplo do abandono escolar precoce relativamente à média nacional não se pode dar ao luxo de não ter a Educação como uma prioridade absoluta”, alertou António Lima.
O líder regional do Bloco deixou ainda críticas ao Governo Regional por não ter incluído no Orçamento Suplementar – com medidas para dar resposta aos efeitos da pandemia – “um cêntimo a mais” para a Educação.
Apesar das enormes alterações de funcionamento que estão a ser implementadas pelas escolas, o Governo Regional manteve tudo como antes ao nível dos recursos.
Num ano letivo que será muito condicionado pela pandemia, e sabendo que há muitos professores que pertencem a grupos de risco, que poderão que ter de ser substituídos, a falta de professores pode pôr em causa o funcionamento do ano letivo e o percurso escolar dos alunos, alertou António Lima.
Artigo publicado no site do Bloco dos Açores.