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Açores: “o compadrio terá um combate sem tréguas”

Reeleito coordenador regional, António Lima, apresentou o Bloco como alternativa a um governo sem projeto a não ser mostrar aos sectores dominantes que assim “ganham ainda mais do que com o PS”. Catarina Martins diz que governo com apoio da extrema-direita “não é mais do mesmo porque a normalização do discurso do ódio é perigosa”.
António Lima. Foto do Bloco de Esquerda dos Açores.
António Lima. Foto do Bloco de Esquerda dos Açores.

A VII Convenção Regional do Bloco de Esquerda dos Açores terminou este sábado. Na intervenção de encerramento, António Lima, reeleito coordenador regional, prometeu que o partido irá fazer “um combate sem tréguas” ao “compadrio” e à promiscuidade entre o sector público e privado.

O Bloco de Esquerda dos Açores considera que o novo governo regional não tem qualquer projeto de desenvolvimento para a região e só pretende “manter-se no poder e tentar perpetuar-se no futuro”. A estratégia de PSD, CDS e PPM é, assim, apenas “mostrar aos sectores económicos dominantes na sociedade que com este governo ganham ainda mais do que com os governos do PS”.

A este governo, irá o Bloco opor “a sua luta pela decência e pela clareza das relações entre o sector público e privado na Saúde e na Educação”. A partir de uma “postura clara e frontal no combate às desigualdades, no combate a qualquer tipo de discriminação social ou cultural” e defendendo “um projeto de diversificação da economia para novos patamares de especialização”.

Para António Lima, “é esta postura que tem feito do Bloco de Esquerda uma força política diferente no quadro regional, que não cala o compadrio, que não cala as desigualdades e os atropelos à democracia e à decência”.

O partido foi o único à esquerda do PSD que cresceu nas últimas eleições regionais, em 2020. Por isto, o PS só se tem a culpar a si próprio: “os 24 de anos de governação socialista significaram a manutenção do status quo, com os sectores importadores e monopolistas bem instalados, um sector primário estagnado e uma economia pouco inovadora que fomenta e vive da mão de obra barata e pouco qualificada”.

António Lima apresentou o exemplo dos negócios no sector da produção de energia: “O desenvolvimento das energias renováveis é uma emergência do nosso tempo. Assim um amigo do governo ou de um qualquer partido da coligação apresenta uma proposta de um projeto de painéis solares. O Governo aprova, subsidia 65% do investimento, e todos sabemos como se chega aos 100% ou quase, depois a EDA compra a energia e aí está o empreendedorismo tão elogiado. Se isto não é tirar o dinheiro que é de todos para dar a alguns, o que serão então estas negociatas?”, questionou.

A “caranguejola só quer permanecer no poder”

Catarina Martins também marcou presença na Convenção Regional do Bloco dos Açores e reforçou estas ideias. Para ela, “foram os erros do Partido Socialista que fizeram o caminho da direita” e o Bloco foi “e é hoje o partido da oposição nos Açores: porque é um partido com projeto, porque é um partido com capacidade, tem uma alternativa real”.

A coordenadora do Bloco sublinhou a “novidade má” que este governo regional trouxe à política portuguesa “um governo de direita com apoio à extrema-direita não é mais do mesmo porque sabemos que a normalização do discurso do ódio é perigosa”. Para além disso, trata-se também da “normalização do discurso que num dia diz uma coisa e no outro diz o seu contrário”, “uma caranguejola que tudo o que quer é permanecer no poder” e assim “degrada a própria vida democrática”.

Só que “do ponto de vista económico, do ponto de vistas das respostas para os Açores não há nenhuma novidade” no governo da direita. Pelo contrário: “há a permanência de um projeto de monocultura, agora o turismo, e sobretudo do projeto de uma economia rentista de uns poucos grupos económicos que vivem à sombra do governo regional, ficando com o que é de todos e cavando assim as desigualdades quando uma elite se apropria de riqueza fantástica desta região”. Por isso, o Bloco é “oposição a esta economia rentista, da desigualdade que faz os Açores sendo uma região tão rica aquela onde há mais pobreza no nosso país”.

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