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Açores: crise sísmica pode prolongar-se por “dias ou meses”

“Algumas” centenas de sismos de magnitude reduzida estão a ser registados, desde as primeiras horas desta segunda-feira, na ilha de São Miguel, Açores. Presidente do IPMA fala em “crise sísmica” que se poderá prolongar “durante dias ou meses” e apela à população para seguir as indicações da Proteção Civil.
Açores: crise sísmica pode prolongar-se por “dias ou meses”
Foto de www.ipma.pt.

Centenas de sismos com magnitude entre 1,9 e 3,6 na escala de Richter foram registados desde as 23h47 (00h47, na hora de Lisboa) desta segunda-feira, na ilha de São Miguel, Açores, mantendo-se uma atividade sísmica acima dos valores de referência. O responsável pelo Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) avançou que é expetável que se mantenha a atividade sísmica durante o dia na ilha de São Miguel e que a mesma seja sentida pela população.

“A manter-se o padrão sismológico que se tem vindo a registar desde a madrugada é provável que tenhamos novos sismos sentidos pela população”, disse João Luís Gaspar, citado pela Lusa.

Em declarações ao jornal Público, geofísico e presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Miguel Miranda, afirmou que se trata de uma “crise sísmica” que se poderá prolongar “durante dias ou meses”, com diferente magnitude e intensidade. Se ao início da manhã, a Lusa dava conta de 130 sismos, já depois das 11h, o presidente do IPMA subiu o número para “poucas centenas de sismos”.

“Só o tempo dirá qual será a sua extensão, duração e nível de intensidade”, avaliou Miguel Miranda. Pela sua localização geográfica, os Açores são uma “região muito ativa”, com sismos de baixa magnitude “praticamente todos os dias”.

“É uma fronteira de placa reconhecida e tem uma velocidade de extensão entre os quatro e os cinco milímetros por ano. Todos os anos existe um bocadinho mais de extensão, o que leva a uma interação entre os sistemas vulcânicos e tectónicos que dão origem a uma libertação de energia sobre a forma de pequenos sismos”, explicou o presidente do IPMA.

No entanto, Miguel Mirando asseverou que, “apesar da persistência” desta crise sísmica, a sua energia e magnitude é reduzida, uma vez que resulta de uma deslocação lenta das placas tectónicas localizadas na região, resultando numa libertação de energia e consequente magnitude sísmica reduzida.

Ainda assim “há sempre perigo”, alertou ainda: “É preciso seguir as indicações da Proteção Civil sem discussão”. “As pessoas não devem agir com base na sua avaliação pessoal da existência ou não de perigo, devem antes “seguir à regra todas as indicações das autoridades”, sublinhou.

De acordo com o IPMA, os sismos foram sentidos, por exemplo, nas freguesias de Porto Formoso, Rabo de Peixe, Água do Alto e Furnas, com magnitudes de 2,7, 3,0, 3,2, 3,2 e 3,1, respetivamente, entre as 3h06 e 4h05. Posteriormente, foram sentidos mais sismos nas zonas da Ribeira Seca (freguesia de Vila Franca do Campo) e em São Brás (freguesia da Ribeira Grande) com magnitudes a variar entre 2,9 e 3,2.

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