“Aqui nos Açores sabemos como a alternância faz mal e sabemos como o Bloco poderá fazer a diferença nestas eleições”, afirmou a coordenadora do Bloco esta terça-feira num comício no Teatro Ribeiragrandense, que contou com intervenções de António Lima, candidato à Câmara de Ribeira Grande, e de Jorge Kol de Carvalho, o independente que encabeça a lista à Câmara de Ponta Delgada.
Catarina Martins defendeu que nas próximas eleições autárquicas o eleitorado deve também tirar lições das últimas legislativas, em que “foi o milhão de pessoas que teve a coragem de votar à esquerda do PS que desbloqueou a situação política em Portugal e permitiu alguns passos”.
Apesar de terem passado dois anos em que “os problemas não estão ultrapassados”, a coordenadora do Bloco lembrou que antes das eleições de 2015, o país parecia estar condenado “a dois tons de austeridade: a austeridade antipática da direita e a austeridade que pedia desculpa do PS”.
Foi a escolha do eleitorado num voto à esquerda que permitiu “enormes diferenças”, prosseguiu Catarina: desapareceu o corte ou o congelamento de salários e pensões que constavam dos programas do PSD e do PS; começou o trabalho de “desfazer o enorme aumento de impostos de Vítor Gaspar”; ou, “em vez do que o PS queria”, ficou afastado o facilitar dos despedimentos através do regime conciliatório, “e em vez disso há um programa para combater a precariedade na Função Pública”, acrescentou.
Ambiente e Turismo: Autarcas do Bloco fazem a diferença nos Açores
“Quem vê esperança num caminho de exigência para recuperar os rendimentos do trabalho e os serviços públicos, sabe que nestas eleições autárquicas tem de dar força ao Bloco de Esquerda“, afirmou Catarina Martins, antes de destacar duas áreas em que autarcas do Bloco fazem a diferença, a começar pela “maior riqueza” dos Açores: o Ambiente.
“Como é possível que em ilhas tão extraordinariamente bonitas como as dos Açores, possamos tropeçar tantas vezes em questões ambientais? Isso é uma falha grave de responsabilidades”, defendeu Catarina, apontando que este é um dos casos em que “nós podemos fazer legislação para punir, mas o que nós precisamos acima de tudo é de prevenir”, uma responsabilidade que cabe muitas vezes ao poder local.
Outro dos temas também em debate na Região Autónoma dos Açores tem a ver com a pressão turística. “Se não for regulado, o turismo acaba por matar a galinha dos ovos de ouro: o país, as pessoas, o ambiente”, avisou Catarina, sublinhando a necessidade de haver nas autarquias “forças políticas que saibam dizer que atividades económicas devem ser reguladas” no sentido de “combater a precariedade, ter regras sobre o arrendamento, ter regras ambientais e pedir o contributo próprio a quem ganha tanto dinheiro com o turismo para pagar a pressão que o turismo tem sobre os próprios serviços públicos e as infraestruturas que são de todos”.