Num artigo de opinião publicado no jornal Público, Jorge Moreira da Silva, antigo ministro do Ambiente do governo de Passos Coelho, critica duramente o acordo do PSD com o Chega nos Açores e pede um Congresso extraordinário para debater este assunto.
Moreira da Silva afirma que o acordo com o Chega é “uma alteração radical do posicionamento ideológico e programático”, para além de ser “uma traição” aos “valores e princípios” do PSD.
Para o ex-governante do PSD, “não se fazem acordos com partidos xenófobos, racistas, extremistas e populistas” e também “não se conversa, informal ou formalmente, e muito menos se negoceia com esses partidos”.
Moreira da Silva defende que “mesmo que o conteúdo do acordo não ultrapasse as nossas linhas vermelhas ideológicas conceptuais, não existe democracia ou princípio a la carte”. E considera que a negociação com estes partidos “não só contribui para uma legitimação formal de cânones políticos que substancialmente não têm legitimação possível, como degrada inexoravelmente a nossa reputação e a nossa credibilidade, violentando” o ADN do PSD.
Assim, o ex-ministro exige a realização de um Congresso extraordinário ainda antes das eleições autárquicas para debater a “política de coligações e entendimentos” do partido e para clarificar “a questão da identidade, não do PSD mas da sua atual direção”.