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Abate de visons é pretexto para eleições antecipadas na Dinamarca

Primeira-ministra anunciou eleições legislativas para o dia 1 de novembro, depois de um dos parceiros de coligação ter ameaçado retirar-lhe o apoio. E diz estar disposta a governar com a direita.
Mette Frederiksen. Foto Valsts kanceleja/Flickr

Em 2020, o governo dinamarquês decidiu abater toda a população de visons para evitar a propagação de uma variante da covid-19. A medida não apenas desfez por completo a indústria de peles do país que era dos maiores produtores mundiais, como veio a revelar-se ilegal. A crise política da altura interrompeu-se com a demissão do ministro da Agricultura, mas ressurgiu este ano com as conclusões da comissão parlamentar ao reafirmar a ausência de base legal da medida e a considerar enganadoras as declarações do Governo para justificar o encerramento daquele setor.

Embora as conclusões da comissão parlamentar tenham ilibado a chefe do executivo, Mette Frederiksen, ao considerar que não houve dolo nesta violação da lei, a crispação poítica crescente no país que culminou no ultimato dos social-liberais levou-a a antecipar em seis meses a data prevista para as eleições.

Primeira-ministra abre a porta a grande coligação com a direita

No anúncio da decisão de antecipar eleições, a social democrata afirmou também que pretende governar com uma base parlamentar alargada "com partidos dos dois lados da linha do centro". Atualmente apoiada por partidos do centro e da esquerda, o chamado "bloco vermelho" detém uma curta maioria de 91 deputados em 179. Mas as sondagens continuam hoje a dar um empate técnico com o chamado "bloco azul" dos partidos liberais, conservadores e nacionalistas.

Segundo o Guardian, a líder dos social-democratas já há algum tempo que vem abrindo a porta a um governo com os partidos à direita, justificando a viragem com a crise internacional e a incerteza que atravessa a Europa e o país. Frederiksen diz que é altura de "experimentar uma nova forma de governo na Dinamarca" e que está pronta para chegar a "compromissos e colaboração" com o outro lado do espectro político. Esta tática para as eleições é partilhada pelo ex-líder dos liberais, Lars Rasmussen, cujo novo partido dos Moderados aparece nas sondagens como o desbloqueador de maiorias, ao obter 4 deputados, o suficiente para viabilizar governos de qualquer um dos blocos. O cenário de uma "grande coligação" do centrão dinamarquês passa agora a ser o mais provável desfecho da eleição de 1 de novembro.

À esquerda, a porta-voz da Aliança Verde e Vermelha afirma que a escolha de Mette Frederiksen de governar com a direita "é um grande erro" com graves consequências para a política climática do país e que só será evitado com um grande reforço da votação no seu partido.

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