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Abate de milhões de visons abre crise no governo dinamarquês

A decisão não tinha base legal. O ministro da Agricultura demitiu-se, o apoio ao governo baixou 20% e a oposição quer a queda do governo.
Quinta de criação de visons. Foto de TheAnimalDay.org/Flickr.
Quinta de criação de visons. Foto de TheAnimalDay.org/Flickr.

No início do mês, o governo dinamarquês decidiu o abate de todos os visons criados naquele país para comercializar a sua pele. O maior produtor mundial alegava que o abate destes cerca de 17 milhões de animais seria a forma correta de tentar conter o contágio com uma nova estirpe da Covid-19 que tinha sido detetada em doze humanos. O novo tipo de Covid-19, dizia-se, podia tornar as vacinas que estão agora em fase de testagem menos eficazes.

O executivo veio agora reconhecer que não tinha qualquer base legal para a decisão, o que gerou uma crise política. O próprio ministro da Agricultura, Mogens Jensen, discordara da medida, segundo noticia o The New York Times, e acabou por demitir-se. Nesta quinta-feira, o jornal dinamarquês B.T. revelou que ele e outros cinco ministros tinham avisado em setembro que o abate para além das áreas infetadas seria ilegal.

Segundo uma sondagem da Universidade de Aarhus, o apoio ao governo caiu cerca de 20% e, esta quarta-feira, foi a vez da própria primeira-ministra, Mette Frederiksen, ser confrontada no parlamento, com parte da oposição a exigir a sua saída. Houve ainda quem exigisse uma investigação independente para saber se a infração à lei foi ou não deliberada. À sua direita, as críticas não foram feitas em nome dos direitos dos animais mas, pelo contrário, argumentando que o seu governo estava a tentar acabar com as quintas de exploração dos visons.

A decisão governamental de há cerca de duas semanas foi cumprida com o envio de militares e polícias para as 1.100 quintas do país para auxiliarem no abate. Só depois de terem sido abatidos 10,2 milhões de animais foi, no início desta semana, aprovada a legislação que permite que o abate fosse expandido para além da zona infetada. Entretanto, o foco oficial da ação já mudara para matar apenas animais nas vizinhanças daquelas zonas e o Ministério da Saúde declarou em comunicado que "nenhum outro caso da mutação em visons Cluster 5 foi detetada desde 15 de setembro, razão pela qual o instituto encarregado de doenças infecciosas (ISS) acredita que essa mutação foi possivelmente erradicada". As restrições aplicadas nos sete municípios afetados vão assim ser levantadas.

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