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Abaixo assinado leva ao fim do voluntariado na Feira do Livro de Lisboa

A próxima edição já não irá contar com voluntários. A APEL organiza o evento em parceria com a autarquia de Lisboa e, ao apoio financeiro desta, soma-se o valor pago pelas editoras presentes.
Abaixo assinado leva APEL a pôr fim a voluntariado na Feira do Livro de Lisboa
Foto retirada da página de Facebook da Feira do Livro de Lisboa.

Na sequência de um abaixo assinado contra a existência de voluntários na Feira do Livro de Lisboa, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) “decidiu não voltar a admitir a participação de voluntários na Feira”.  

A escritora Alexandra Lucas Coelho e a diretora de Comunicação da Penguin Random House/Companhia das Letras Helena Alves Pereira tinham dado início a 25 de maio ao abaixo assinado “"Não ao abuso de voluntários na Feira do Livro de Lisboa”. O documento mostrava-se “contra o recrutamento de 'voluntários'" pela APEL, que "recebe das editoras muitos milhares de euros pela presença na feira, além das quotas e de outras subvenções”. A base do documento baseava-se na ideia de que "quem foi recrutado deve ser remunerado".

A APEL, que organiza o evento em parceria com a autarquia de Lisboa, justificou-se inicialmente com o facto de ser uma "instituição sem fins lucrativos” e de estar a cumprir a lei. 

A polémica em torno deste tipo de voluntariado voltou a surgir após, no passado fim de semana, uma voluntária da Feira do Livro de Lisboa se ter dirigido em tom desadequado aos participantes no evento de lançamento do livro Racismo no País dos brancos Costumes, da jornalista Joana Gorjão Henriques, interrompendo o evento com comentários racistas. 

“Parecia encomendado. Uma performance racista, num debate contra o racismo. Estava boquiaberta”, escreveu a editora Bárbara Bulhosa no seu perfil na rede social Facebook, referindo que a voluntária “passou o debate a gesticular e mandar bocas a dizer que não concordava nada com o que estava a ser dito”.

A voluntária chegou mesmo a interpelar Mamadou Ba, ativista anti racista e um dos convidados do debate, dizendo-lhe "Vê lá se te despachas!”.

Ao contatar a organização para pedir explicações sobre o sucedido, o responsável da APEL disse apenas “não me ameaces”. Dias depois, a organizadora do evento lançou um comunicado lamentando "profundamente os incidentes ocorridos", e garantindo que "não se revê de nenhum modo na atitude assumida pela sua colaboradora, que dava apoio logístico à sessão de apresentação".

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