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8chan, o canal do ódio racista que foi abaixo depois do massacre de El Paso

As autoridades norte-americanas ligam o autor do massacre de El Paso a um manifesto surgido no 8chan. Não é o primeiro caso em que propagação de mensagens ultra-violentas de extrema-direita surge associada a este fórum. Assim, a empresa Cloudfare que protegia o site deixou de o fazer. E este veio abaixo.
Logotipo do 8chan
Logotipo do 8chan.

Depois do massacre, trancas no portal. O fórum 8chan, que se tinha transformado na plataforma preferida dos supremacistas brancos, deixou de estar online na sequência das denúncias sobre o seu papel na propagação não só de discursos de ódio mas da sua concretização em atos violentos. Mas demorou. E não é definitivo.

O 8chan é conhecido como “hate channel”, canal do ódio, ou como “infinitychan”. Foi criado em 2013 e o seu princípio é a publicação não moderada de imagens. Criado por Fredrick Brennan, este fórum ganhou expressão quando muitos utilizadores migraram de sites como o 4chan. Em 2014 ocorreu o chamado “gamergate”, um caso icónico e precursor de assédio na internet que tomou como alvo uma criadora de jogos que criticara o sexismo presente nos jogos de vídeo e na subcultura em seu redor. Resultou na exclusão do 4chan de muitos utilizadores. Assim, movimentos machistas, defensores de teorias da conspiração e racistas encontraram no 8chan uma forma livre de continuar a propagandear o discurso de ódio. O site está banido das buscas do Google desde 2018 devido à publicação de imagens de pornografia infantil.

Para além do discurso extremamente violento, o site tornou-se numa plataforma de pré-anúncio de massacres. Foram três nos últimos meses. E só à terceira é que a polémica teve consequências. Em março, o autor do ataque em Christchurch, Nova Zelândia, causou 51 mortos. Tinha partilhado o seu projeto no 8chan. Em abril, um atirador que matou uma pessoa numa sinagoga de Poway, na Califórnia, tinha colocado uma carta anti-sionista antes de passar ao ato. Agora foi a vez do autor do massacre de El Paso. As autoridades norte-americanas ligaram este atirador que matou 21 pessoas e deixou mais de 20 feridas a um manifesto que foi publicado neste fórum e que referia um ataque que iria “responder à invasão hispânica do Texas”.

Entretanto, devido à polémica, a empresa encarregue da proteção do site, a Cloudflare, anunciou a cessação de prestação de serviços. O site não está, de momento, disponível. Mas isso não quer dizer que seja o seu fim definitivo. Até porque se o seu criador, Fredrick Brennan, se lamenta por tê-lo criado, o atual proprietário, Jim Watkins, tem uma posição diferente e procura novas formas de viabilizar o portal do ódio, jurando numa mensagem de vídeo “nunca ter protegido discurso ilegal”.

Foi anunciado que a empresa Epik iria providenciar o mesmo serviço que a Cloudfare. Esta empresa assegura, por exemplo, a segurança ao site neo-nazi Daily Stormer e ao Gab.com, um site utilizado pelo responsável por onze mortes num ataque a uma sinagoga em Pittsburgh, de que Cloudfare retirou os seus serviços depois desse atentado. Mas esta substituição não assegurou, pelo menos por enquanto, que o site se mantivesse online porque a empresa Voxility que lhe fornece a infraestrutura cortou esse acesso. Depois, também a Tucows anunciou que cortava o seu apoio enquanto domínio de registo do nome deste site, dificultando ainda mais a sua acessibilidade online.

Só que mesmo que o 8chan acabe, isso pode apenas significar uma nova migração da extrema-direita para outras paragens, por exemplo para a chamada dark web.

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