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6% da ferrovia precisa de manutenção urgente

Dados da Infraestruturas de Portugal indicam que 6,6% da ferrovia precisa de obras de imediato e 26% dentro de cinco anos. Na rodovia, 2,8% precisa de manutenção urgente. Cortes na manutenção nos anos da Troika agravaram o estado das redes e os custos a médio prazo.
Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.

6,6% da ferrovia portuguesa está num estado "insatisfatório" e precisa de investimento imediato, revelam os indicadores da Infraestruturas de Portugal. A IP divulgou no final desta semana os indicadores do estado da infraestrutura ferroviária e rodoviária nacional para o ano de 2018, resultados das inspeções regulares que faz, que passarão a ser publicados regularmente todos os anos.

A inspeção da rede ferroviária, além das vias, incide em items como as pontes e túneis, sinalização, catenárias ou energia de tração. 30,1% da rede está num estado considerado "bom", 37,2% num estado "satisfatório" mas 26,1% requer atenção, ou seja, precisa de investimentos nos próximos cincos anos, e 6,6% num estado "insatisfatório", a precisar de obras de imediato . O item que registou a percentagem mais alta de "insatisfatório" foi a via (15,1%). No caso da rodovia, 21,2% da rede está num estado "bom", 60,4% num estado "satisfatório", 15,6% "requer atenção" e 2,8% está num estado "insatisfatório".

A escala da IP é um indicador da margem temporal para a necessidade de investir em obras de manutenção: "bom" significa que são necessárias obras dentro de 10 anos, "satisfatório" entre cinco e 10 anos, "requer atenção" até cinco anos. "Insatisfatório", o grau mais baixo, significa que são necessárias obras de imediato. Não sendo feitas obras de imediato neste último caso, a IP impõe medidas alternativas como restrições de peso, limitações de velocidade ou redução de vias.

Segundo a Agência Lusa, António Laranjo, presidente da IP, admitiu que estes resultados refletem o "período difícil" que o país atravessou. Nos anos da troika, recorde-se, o governo de Passos Coelho cortou drasticamente o investimento em manutenção, condenando as infraestruturas a uma degradação acrescida que a longo prazo é mais custosa de recuperar. Os atrasos crónicos no programa de modernização Ferrovia 2020 e as supressões recorrentes de viagens também têm sido notícia no último ano. Apesar de tudo isso, Laranjo afirmou que os indicadores registados na ferrovia “não envergonham” em relação aos observados a nível europeu. Sublinhou também que não está em causa a segurança da rede ferrovia, apenas as prioridades na sua manutenção.

Em abril deste ano, o Bloco de Esquerda apresentou o seu plano para recuperar a ferrovia nacional, visando promover a coesão do território, proteger o ambiente e aumentar a capacidade produtiva do país. O plano propõe a construção de novas linhas, recuperação de linhas encerradas, ou o regresso da Refer (cuja integração na IP agravou os problemas do setor ferroviário), entre outros.

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