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45 mil trabalhadores das escolas estão por vacinar

A Fenprof exige a marcação de outro fim-de-semana de vacinação. Há professores que ameaçam meter baixa se a situação não for resolvida. E há já vários que se queixaram à Provedoria.
Lápis e agulha. Foto de Peter Toporowski/Flickr.
Lápis e agulha. Foto de Peter Toporowski/Flickr.

A Fenprof quer que se marque urgentemente mais um fim-de-semana de vacinação para trabalhadores docentes e não docentes das escolas porque há ainda 45 mil destes trabalhadores por vacinar contra a Covid-19.

Este número não inclui os trabalhadores do ensino superior. Isto apesar da organização sindical defender que estes também devem ser incluídos no processo de vacinação. A Fenprof escreve que, sobre esta exclusão,“a única justificação que até hoje se ouviu chegou do ministro Manuel Heitor, que afirmou não haver necessidade pois as turmas daquele nível de ensino tinham menos alunos do que as do secundário, o que, na maior parte dos casos, não é verdade”.

Houve já dois fins-de-semana de vacinação dos trabalhadores escolares. O primeiro, a 27 e 28 de março, abrangeu segundo o governo mais de 60 mil professores e não docentes do ensino pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino público e privado. O segundo também incluiu alguns dos trabalhadores do pré-escolar e 1º ciclo não vacinados na primeira data mas foi sobretudo dedicado aos do 2.º ciclo e secundário. Abrangeu 183 pessoas. Um terceiro esteve previsto, mas acabou por ser anulado por razões que a Federação Sindical diz desconhecer.

Os professores dizem desconhecer os critérios do processo: “Mesmo quem tentou perceber a razão de ter sido excluído não obteve resposta, pois as autoridades que, eventualmente, poderiam esclarecer não encontraram justificação, fossem as da Educação ou as da Saúde. Face à situação, há docentes e trabalhadores não docentes com doenças de risco que se têm mantido a trabalhar, mas agora admitem resguardar-se, pois em muitas escolas onde há casos de Covid-19 e turmas em isolamento ou quarentena, os docentes e não docentes continuam em regime presencial”, pode ler-se no comunicado.

O documento dá conta ainda de “situações verdadeiramente estranhas”. Dando o exemplo do Agrupamento Escolar do Restelo, “em que nenhum professor do 1.º Ciclo foi vacinado” e de “muitos casos de docentes de Educação Especial ainda não vacinados, o que é tanto mais grave quando se constata que boa parte deles nunca deixaram de exercer atividade em regime presencial, alguns, como acontece com os que se encontram na Intervenção Precoce, a deslocarem-se aos domicílios para trabalhar com as crianças e as famílias”.

Queixas à Provedoria e baixas

A Fenprof diz que há trabalhadores que “admitem resguardar-se”. Vários professores dizem que estão a pensar meter baixa e alguns já fizeram ou pensam fazer queixas ao Provedor de Justiça. O Diário de Notícias entrevistou docentes de várias escolas que confirmam não conhecer os critérios aplicados para a vacinação contra a Covid-19 e que referem situações de ansiedade.

Marco Marques, diretor do Agrupamento de Escolas do Castêlo da Maia, é um dos que conta este estado de espírito num conjunto de estabelecimentos com 179 professores e dois trabalhadores não docentes por vacinar.

Eva Matias, professora de Matemática na Amadora, refere estar "psicologicamente afetada com a situação". Sofre de hipotiroidismo e pensa estar a "colocar a vida em risco diariamente" ao ir dar aulas. Revela ter feito queixa ao Provedor de Justiça e pensa meter baixa pela primeira vez em 23 anos para se proteger do contágio. “Não me sinto segura na escola e a verdade é que os alunos já não cumprem tanto as regras de segurança”, revela.

O seu colega Fernando Couto confirma a perceção de “falta de cumprimento de regras por parte dos alunos”, somando a isso que “por trás de cada criança há um agregado familiar. A escola não é um lugar seguro, nem o conseguirá ser porque não há capacidade para isso”, conclui. Sendo professor de Educação Física, na sua disciplina os alunos não usam máscara e assim diz que não se sente seguro. Também ele vai pelo mesmo caminho que Eva Matias: fez queixa ao Provedor de Justiça e equaciona recorrer à baixa médica.

O mesmo jornal inclui um outro relato no mesmo sentido. Rosário Miranda, professora do Agrupamento de Escolas de Vieira do Minho, doente de risco, com Lúpus, dá um prazo até dia 15. Se depois disso não for vacinada avança com a baixa médica. Os vários professores entrevistados por este meio de comunicação social referem ainda que tentaram obter respostas junto dos ministérios da Saúde e da Educação, mas sem sucesso.

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