Em 2016, um total de pouco mais de 136 milhões eleitores norte-americanos votaram nas eleições presidenciais. Este ano, a uma semana da data oficial da votação, já mais de metade destes votos foram expressos. A contabilidade do U.S Elections Project, da responsabilidade de Michael McDonald, da Universidade da Florida, aponta para que, na passada terça-feira, este número tenha ultrapassado os 70 milhões.
O número recorde de votos antecipados e por via postal explica-se pelo contexto da pandemia. E parece ser uma boa notícia para o candidato democrata Joe Biden, que tem apelado a este tipo de votação. Trump, por sua vez, tem lançado sistematicamente dúvidas sobre o sistema, procurando alimentar boatos sobre a possibilidade de fraude eleitoral. Dadas estas posições, não espanta que as contagens ainda muito preliminares deem uma vantagem do dobro dos votos para os democratas.
Trump repete que é “inapropriado” contar votos por correspondência depois da noite eleitoral
Esta terça-feira, o presidente em exercício voltou a fazê-lo. Declarou na Casa Branca que seria “totalmente inapropriado” gastar tempo a contar as dezenas de milhões de votos por correio depois da data das eleições. Trump diz que acredita que “isso não está de acordo com as nossas leis”. Antes disso, tinha declarado que o país “tinha de ter o resultado final” no dia três.
Para além do voto antecipado em urna, os eleitores têm, variando as regras de estado para estado, a possibilidade de votar por correspondência. 46 milhões de cidadãos norte-americanos escolheram esta via até ao momento, o que fará a contagem dos resultados oficiais atrasar-se semanas.
Há várias batalhas jurídicas a decorrer nos tribunais com os republicanos a tentar limitar o voto por correspondência e os democratas a opor-se. O Supremo Tribunal Federal decidiu contrariar o pedido de democratas e ativistas dos direitos civis de aumentar o prazo para contagem de votos no Wisconsin, fixando-o para as 20h do dia três de novembro.
Há ainda batalhas jurídicas sobre as urnas do voto presencial antecipado. Por exemplo no Texas, o governador decidiu que apenas existiria uma urna por condado, independentemente da sua dimensão ou população. O Supremo Tribunal do Texas acabou por decidir a seu favor, revertendo uma decisão de um Tribunal de Recurso tomada a semana passada.
Movimentos sociais querem “proteger os resultados”
As declarações do presidente alimentam o medo de que não aceite uma derrota, retomando a tese da “fraude” e lançando o caos no país. Aliás, dados os diferentes perfis entre votos antecipados e votos expressos no dia das eleições, é provável que o seu resultado seja melhor na própria noite de 3 de novembro do que no total. Teme-se assim que aproveite para fazer uma declaração de vitória e a isso se siga a tentativa de invalidar os votos não contabilizados até esse momento.
Vários movimentos estão por isso a organizar-se. Há cerca de 400 concentrações marcadas por todo o país sob o lema “proteger os resultados” contra o “roubo” das eleições. Grupos como o Stand Up America e o Indivisible, juntaram-se a mais de 135 outras organizações para fomentar este movimento, cujas convocatórias continuam a crescer. Querem assegurar que “cada voto é contado” e por isso estarão nas ruas a “exigir uma transição pacífica de poder.”
Outros grupos com o mesmo tipo de intenções estão a organizar-se. São os casos do Defend Democracy, o Fight Back Table ou o Majority Rising.