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30 minutos para sair: os despedimentos à moda da Goldman Sachs

A multinacional do setor financeiro despediu a semana passada 3.200 trabalhadores de forma brutal. Nas próximas semanas espera ainda cortar mais centenas de empregos indiretamente reduzindo os bónus anuais e levando assim os trabalhadores a sair.

A multinacional do setor financeiro iniciou em meados da semana passada uma primeira ronda de despedimentos. Foram abrangidos cerca de 3.200 trabalhadores de vários pontos do globo, 6,7% do total da força de trabalho da empresa, naquele que é o seu maior despedimento coletivo desde a crise de 2007.

O Financial Times revelou um processo que os próprios chefes encarregues de transmitir a notícia designam como “brutal” e “horrível”, tendo fontes da empresa indicado que se tinham informado os trabalhadores que teriam 30 minutos para levar os seus pertences e sair do edifício da empresa com o cartão de acesso a ser anulado depois desse prazo. Para além disso, os despedimentos foram feitos sem que o bónus do trabalho do ano passado esteja a ser pago a muitos.

Entre os despedidos, as condições atribuídas foram diferentes. Os diretores receberão o seu salário até final deste mês e depois mais três meses mas os trabalhadores abaixo deste escalão terão apenas dois meses de indemnização. Diretores e vice-presidentes terão também sido avisados antes que poderiam ser despedidos, ao contrários dos trabalhadores de escalões mais abaixo.

O procedimento da multinacional contrasta com a sua comunicação pública. Num comunicado sobre o assunto, escreve-se: “estamos agradecidos pelos contributos de todas as nossas pessoas e estamos a fornecer-lhes apoio para aliviar as suas transições”.

Ainda de acordo com o Financial Times, os despedimentos seguem-se a um crescimento do número de funcionários em 30% desde o final de 2019 e é explicado pela possibilidade e recessão nos EUA e uma queda acentuada no setor dos bancos de investimentos. Num ano, as ações da empresa caíram 10%.

Esta sexta-feira e sábado, foram conhecidos mais pormenores sobre os despedimentos da semana passada. O New York Post informa, que no ramo de Nova York, vários trabalhadores receberam por e-mail uma notificação de calendário para uma reunião na sede da empresa “sob falsos pretextos”, diz uma das pessoas despedidas, e quando chegaram receberam a notícia do despedimento. Outra conta que lhe foi dito que teria de se apresentar para uma reunião às 7.30 da manhã para uma reunião com colegas da região Ásia-Pacífico tendo tido o mesmo destino.

Aqui, os despedimentos aconteceram antes das 9 da manhã. E houve quem contasse que lhe foi dada a escolha sobre se queria ficar no escritório até aos seus colegas chegarem para se despedir deles ou abandonar imediatamente o local.

O mesmo órgão de comunicação social indica que a empresa planeia cortar mais 800 postos de trabalho, desta feita de forma direta. Nas próximas semanas serão comunicados os bónus anuais que são parte do rendimento de muitos destes trabalhadores e é esperado que o baixo valor faça muitos sair. “A expetativa é que as pessoas saiam na semana seguinte” diz uma fonte da empresa, no que é caracterizado como sendo um procedimento habitual em Wall Street e que tem mesmo nome próprio, “despedimento por processo”, cunhado pelo fundador da Fox, Barry Diller.

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