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“30 anos de acordos PSD/PS só resultaram em abandono do interior”

Catarina Martins alertou em Viseu para as “escolhas falsas” apresentadas por quem entrega milhares de milhões ao sistema financeiro. “Não temos de escolher entre respeitarmos o tempo de serviço dos professores ou termos o IP3”, sublinhou.
Almoço em Viseu com Catarina Martins Foto Bloco de Esquerda de Viseu/Facebook

Num almoço em Viseu antes da visita a Sementeira, um evento cultural que considerou ser “uma das iniciativas mais interessantes que o Bloco tem feito no país”, Catarina Martins falou da importância do investimento em serviços públicos no interior. E atacou o discurso da direita que acusa a esquerda de “não fazer as contas” às medidas que propõe.

“Qualquer discurso que diga que o Estado vai ficar meramente a pensar em alguma borla fiscal para algum investimento no interior e que não tem a responsabilidade de fazer investimento diretamente, desde logo em serviços públicos, é um discurso que está a enganar quem vive no interior”, avisou Catarina Martins.

Para a coordenadora do Bloco, a prioridade é ter “serviços públicos a funcionar”, do posto de correios ao balcão da CGD. “Não existe nenhuma política para o interior que entenda que os serviços públicos não são indispensáveis”, defendeu Catarina, acrescentando que “para haver criação de emprego e regresso dos jovens ao interior, são necessários serviços públicos, que criam emprego qualificado”.

Fazendo o balanço de trinta anos de investimento público decidido por acordo entre PSD e PS, Catarina concluiu que “o que deram foi abandono do interior, PPPs, negócios francamente negativos para as contas públicas e dos quais a população nunca beneficiou”.

Por isso, acrescentou, “não aceitamos escolhas falsas: não temos de escolher entre respeitarmos o tempo de serviço dos professores ou termos o IP3”, dando o exemplo do discurso feito há poucos dias pelo primeiro-ministro no anúncio de obras naquela estrada. Um discurso que está em linha com o que é repetido pela direita, prosseguiu.

“A direita diz tantas vezes: não fizeram bem as contas” a medidas como o respeito pelo tempo de serviço dos professores ou o regresso das 35 horas semanais para médicos e enfermeiros, ao que Catarina contrapôs: “Mas será que eles fizeram bem as contas sobre o sistema financeiro? Em dez anos, 20 mil milhões de euros foram entregues à banca. Vamos fazer as contas!”.

“Um governo que aumentou em mais de 50% o que paga em cirurgias ao privado não tem um problema com as 35 horas na Saúde, tem um problema com os negócios que faz com os privados na saúde”, exemplificou.

“Com as decisões do Banif e do Novo Banco já foram 9 mil milhões para os privados só nesta legislatura. Vamos falar de contas do dinheiro que falta para respeitar as carreiras dos professores ou para contratar os profissionais que fazem falta no SNS?”, questionou, concluindo que é inaceitável “que nos falem de umas contas e que se esqueçam sempre das contas do sistema financeiro”.

A esse propósito, criticou o governo por manter à frente da Parvalorem - a empresa pública que gere o que resta do antigo BPN - o ex-companheiro de Passos Coelho e Miguel Relvas na JSD e na Tecnoforma. Francisco Nogueira Leite é notícia este domingo pela distribuição de bónus aos administradores da Parvalorem que vieram da administração de Oliveira e Costa.

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