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25 de Abril, um "sinal para toda a Europa"

Na manifestação do 25 de Abril na Avenida da Liberdade, Catarina Martins, Jean-Luc Mélenchon, Miguel Urbán do Podemos, e outras figuras prestaram homenagem ao 25 de Abril e valorizaram o seu significado para as lutas que se travam hoje na Europa.
Catarina Martins, José Gusmão, Marisa Matias e Jean-Luc Mélenchon na manifestação do 25 de Abril, 2019. Foto de Paula Nunes.
Catarina Martins, José Gusmão, Marisa Matias e Jean-Luc Mélenchon na manifestação do 25 de Abril, 2019. Foto de Paula Nunes.

Milhares de pessoas desceram a Avenida da Liberdade no desfile dos 45 anos do 25 de Abril. Entre elas contou-se figuras da esquerda europeia em apoio à iniciativa "Agora o Povo", que reúne o Bloco e outros partidos europeus numa frente contra a austeridade na Europa para as eleições europeias em Maio e mais além. Após a manifestação, realiza-se às 18h no Palácio da Independência o comício internacional "Agora o Povo" com intervenções de Marisa Matias, Jean-Luc Mélenchon (France Insoumise), Miguel Urbán (Podemos), e Jakob Nerup (Aliança Verde-Vermelho Dinamarca).

Jean-Luc Mélenchon deixou a sua homenagem à revolução portuguesa na Avenida da Liberdade. Mélenchon afirmou que Abril foi “um sinal para toda a Europa”. Para o candidato da France Insoumise nas últimas eleições presidenciais, a revolução “criou uma dinâmica importante, que passou da reivindicação democrática para reivindicações sociais que mudaram a vida no país". Mas gerou também uma onda europeia, com repercussões políticas em França, Alemanha, no Reino Unido e outros países. Olhando para o presente, Mélenchon afirmou que hoje os "nossos movimentos, em cada um dos seus países, tentam dar um sentido não só nacional como Europeu às lutas atuais. Nesse sentido saudou o Bloco, "que nos chamou para tentar esta via nova para construir uma alternativa na Europa", uma via que impeça uma "Europa de países encerrados entre ultranacionalistas de um lado e liberais do outro".

Pelo Podemos, Miguel Urbán referiu que Portugal "para nós é um modelo do que deveríamos ter conseguido" em Espanha, uma "ruptura democrática", em vez uma transição em que "a ditadura foi para a cama como ditadura e acordou no dia seguinte como democracia". Urbán lamentou que "ainda hoje em Espanha temos o ditador Franco no maior mausoléu do mundo ao fascismo, pago com dinheiro público, o que seria impensável em Portugal. Temos muito que aprender de Portugal em questões de memória democrática". Olhando para a Europa, considerou a aliança Agora o Povo como importante para nas próximas eleições europeias "romper o colete de forças dos tratados Europeus, que impõe a austeridade aos povos. No sul da Europa conhecemos isso demasiado bem".

Jakob Nerup, da Aliança Verde-Vermelha da Dinamarca, também marchou pela Avenida da Liberdade, e deixou um apelo para "expulsar os neoliberais do próximo Parlamento Europeu".

Catarina Martins considerou que na manifestação "celebra-se o que se conquistou" e "falamos do que falta fazer, porque a democracia e a liberdade não são dados adquiridos, são construções que fazemos todos os dias, e nada se consegue sem luta". Catarina relembrou lutas que marcaram este ano, como "os jovens afrodescendentes que desceram esta mesma Avenida da Liberdade contra a violência racista", as mulheres que no "8 de março tiveram a maior manifestação feminista que o país já viu, quando as vítimas de violência doméstica saíram à rua contra a violência e a justiça machista", ou os jovens que na greve climática disseram "com toda a razão que não há planeta B, e apelaram para a grande transformação anticapitalista que temos de fazer dos meios de produção, para salvar o planeta".

Em destaque nestes dias, o SNS foi considerado por Marisa Matias "a maior conquista do 25 de Abril", que deve ser reivindicada "em memória de Arnaut de Semedo, e sobretudo pelo futuro de toda a gente". Por sua vez, Catarina Martins lembrou que o SNS "foi conquistado sem PPPs, com hospitais públicos", e em sua opinião este ano coloca uma escolha: "queremos que ele volte àquilo que António Arnaut ou João Semedo sonharam e propuseram — um SNS forte para dar acesso a saúde a toda a gente — ou queremos ser subservientes ao grupo Mello e aos grandes interesses económicos?". Pela parte do Bloco, a escolha é clara, concluiu: "A nossa luta é a do 25 de Abril: Estado Social para todos, solidariedade, SNS, escola pública. Esse é o nosso caminho".

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