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19 mortos em manifestações contra o Governo do Iraque

Manifestantes criticam a falta de emprego e serviços básicos, como água e eletricidade. Governo impôs recolher obrigatório após segundo dia de manifestações. O acesso à internet encontra-se bloqueado em grande parte do país.
19 mortos em manifestações contra o Governo do Iraque
Foto de Spc. Charles W. Gill/Wikipedia.

Pelo menos 19 pessoas morreram no Iraque desde o início das manifestações contra a corrupção e falta de serviços básicos, como eletricidade ou água, que decorrem há três dias no país. As autoridades de saúde iraquianas informaram também que centenas de pessoas ficaram feridas na cidade de Amara, no sul do país, algumas destas na sequência de disparos com balas de borracha.

A polícia iraquiana disparou munições reais e usou gás lacrimogéneo contra algumas centenas de manifestantes reunidos em vários locais do centro de Bagdad, horas depois do início do toque de recolher anunciado pelas autoridades, noticia a agência Lusa. Antes de amanhecer, também se ouviram explosões na zona com um forte esquema de segurança onde estão localizados escritórios do Governo e embaixadas estrangeiras.

O recolher obrigatório foi decretado após uma reunião do Governo com os principais líderes do país. O objetivo, relata a Lusa, é “proteger a paz geral” e também “os manifestantes dos infiltrados” que, alegam, cometeram ataques contra a polícia e propriedades públicas. Segundo a agência de notícias do Iraque, Mohammed al-Halbusi, Presidente do Parlamento, convocou os representantes dos manifestantes para discutir as suas reivindicações.

“Apesar do recolher obrigatório, vamos continuar a protestar e a exigir os nossos direitos. Queremos uma mudança de regime. Prenderam as nossas pessoas”, disse à Reuters um jovem manifestante. “Espancaram-os e humilharam-os enquanto disparavam fogo real. O que é que fizemos? Somos bombistas suicidas? Estamos aqui para exigir os nossos direitos e de todas estas pessoas”.

Para além das manifestações, a internet está cortada em grande parte do país. De início, segundo a agência de notícias AP, foram bloqueadas as redes sociais. Os manifestantes afirmavam que não conseguiam comunicar entre si, nem publicar imagens online. Mas depois o bloqueio alargou-se a todos os outros sites, segundo o observatório internacional da internet NetBlocks. A explicação oficial diz que tal se deve a “restrições decididas” pelos fornecedores.

Ao que é possível apurar, as manifestações são espontâneas e sem liderança política visível, inicialmente organizadas através das redes sociais. Os manifestantes exigem a demissão do Governo, sendo que até ao momento nenhum partido político se associou aos protestos que estão concentrados maioritariamente em Bagdad e em províncias do sul, maioritariamente xiitas.

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