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150 mil pessoas manifestaram-se no 1º de Maio em França

Em toda o país realizaram-se desfiles de comemoração do Dia dos Trabalhadores em cerca de 300 localidades. Em Paris, a manifestação ficou bloqueada durante duas horas devido à atuação da polícia. A CGT denuncia "violências inaceitáveis" contra manifestantes no final do desfile.
Manifestação em Paris, 1 de maio de 2021 – Foto de Christophe Petit Tesson/EPA/Lusa
Manifestação em Paris, 1 de maio de 2021 – Foto de Christophe Petit Tesson/EPA/Lusa

A comemoração do 1º de Maio em França foi convocada pela Confédération générale du travail (CGT) em conjunto com Force ouvrière (FO), Fédération syndicale unitaire (FSU) e Solidaires, segundo o Le Monde. O objetivo era uma “jornada de mobilização e manifestações”, “pelo emprego, os salários, os serviços públicos, a segurança social, as liberdades e a paz no mundo”.

As manifestações tiveram lugar em 300 localidades, nomeadamente em Nantes, Marselha, Lille, Estrasburgo, Rennes, Saint-Etienne, Toulouse, Bordéus e Lyon, no conjunto das quais terão participado mais de 150.000 pessoas, segundo a CGT. Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, acusou Macron de querer rasgar o código de trabalho e defendeu que a jornada de mobilização visou “evitar que o mês de maio e os meses seguintes sejam idênticos ao que conhecemos antes do confinamento, isto é reestruturações, muito dinheiro para quem tem muito e ainda menos para quem não o tem”.

Em Paris, a manifestação foi acompanhada de um forte aparato policial e a tensão entre a polícia anti-motim e grupos de jovens foi crescendo.

Segundo a Lusa, um manifestante gritou perante a forte presença policial: “É uma manifestação de polícias ou do povo?"

Outra manifestante, reformada, com 68 anos de idade, declara à Lusa: "Desde há dois anos, as manifestações são violentas em França. Agora, estamos aqui todos parados. Há muito mais polícias do que antes, a manifestação da CGT só tinha alguns polícias para acompanhar o cortejo. Mas é horrível, eles até se infiltram nas manifestações". A manifestante sublinha que o reforço policial vai "contra a liberdade de manifestação" e frisa: "Estamos num país democrático".

O Le Monde cita uma militante feminista de 27 anos que vinha acompanhada com várias amigas, “porque atualmente não nos podemos manifestar sozinhas por causa da repressão policial”. “É cada vez mais complicado manifestar-nos”, lamenta antes de se desviar para ruas adjacentes para evitar os confrontos com a polícia.

CGT denuncia “violências inaceitáveis contra o mundo do trabalho”

Em comunicado publicado no twitter, a CGT denuncia a “violência inaceitável” de que foram vítimas trabalhadores e trabalhadoras no final da manifestação em Paris.

A CGT refere que a manifestação conseguiu chegar ao fim, apesar das intervenções “totalmente injustificadas”, por parte das “forças da ordem”.

E, denuncia que no final do desfile “um importante grupo de indivíduos, alguns dos quais reivindicando-se coletes amarelos, fizeram uso de uma extrema violência contra manifestantes”. “Insultos homófobos, sexistas, racistas, precederem atos de vandalização de veículos das organizações” e, “bem mais grave”, as agressões a manifestantes, assinala a central sindical.

A CGT regista a existência de 21 feridos, dos quais 4 graves, e apela “ao conjunto do mundo do trabalho” a que se mobilize, rejeite “todas as formas de ódio que dividem as mulheres e homens do nosso país” e reforce, com as organizações sindicais, “as lutas perante as políticas liberais ao serviço do capitalismo”.

Notícia atualizada às 0h15 de dia 2 de maio

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