100 mil pessoas em Atenas marcam dia de greve geral

23 de fevereiro 2011 - 14:26

A Grécia acordou com lojas fechadas, serviços públicos encerrados e transportes muito condicionados. Em Atenas, os 100 mil manifestantes foram recebidos pela polícia com gás lacrimogéneo. Segundo a Reuters, esta é a maior manifestação desde Dezembro de 2008.

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Tal como aconteceu em 2010, a primeira greve geral de 2011 juntou trabalhadores, pensionistas e desempregados e tornou-se na maior manifestação desde Dezembro de 2008. Foto de Panagiotis Moschandreou, Epa/Lusa

Cerca de 100 mil gregos marcharam pelas ruas de Atenas em direcção ao Parlamento em dia de greve geral para protestar contra as medidas de austeridade, entre as quais o corte nos salários dos funcionários públicos e nas pensões e o aumento dos impostos, apresentadas como contrapartida pelo acordo de resgate financeiro de 110 bilhões de euros afirmado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Segundo a Reuters, esta é a maior manifestação desde Dezembro de 2008.

A greve geral foi convocada pelas centrais sindicais dos sectores público e privado e deixou a Grécia praticamente paralisada. Esta quarta-feira de manhã o país não tinha ligações marítimas com as ilhas e nem comboios. Parte dos transportes urbanos não circulavam. No sector da aviação, as companhias aéreas Olympic Airways e Aegean foram obrigadas a anular 35 e 13 voos, respectivamente.

O governo grego mandou um forte contingente para a rua para controlar os protestos. Cerca de cinco mil polícias acompanharam as manifestações em Atenas, tendo recebido os 100 mil manifestantes com bombas de gás lacrimogéneo.

Em frente ao Parlamento, os manifestantes colocaram uma faixa onde se lia: “Estamos a morrer”. Nas ruas, a população queixa-se que atingiu o seu limite e que não é possível “fazer face às despesas".

Ilias Iliopoulos, da central Adedy, do sector público, afirmou à Reuters que “esta greve lança uma vaga de protestos este ano com a participação de trabalhadores, pensionistas e desempregados” e que os manifestantes estão “contra estas políticas, que estão a levar à pobreza e a pôr a economia numa recessão profunda”.