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10 minutos de barulho contra violência doméstica

“Por todas as mulheres que tombaram, por todas as que sobreviveram, por todas as que vivem este inferno”. Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa e Porto vão sair esta quinta-feira à rua para fazer barulho contra o silenciamento da violência contra as mulheres.
Imagem do facebook da Rede 8 de março

“Levantamos a voz ruidosamente, porque não aguentamos o silêncio”. Estes 10 minutos de barulho vão assim ouvir-se para contrariar um país habituado a um silêncio “ensurdecedor”. Às 15,30 no metro do Bolhão, Porto. Às 16.30 no Tribunal Judicial da Comarca de Braga. Às 17 na Praça 8 de maio, Coimbra. Às 18 na Praça Doutor Joaquim de Melo Freitas, Aveiro. Às 18 no Largo do Intendente, Lisboa.

E não são só as vozes que vão fazer este “barulho de resistência”. A organização apela também a que se tragam “instrumentos, apitos, qualquer objeto que produza barulho”. Escolhendo como data, o “dia dos namorados”, a rede 8 de março lembra que a violência no namoro “se encontra ainda perfeitamente naturalizada e legitimada” entre os jovens.

E não só entre jovens. O protesto, que tem como lema “parem de nos matar”, pretende denunciar a violência doméstica e todas as formas de violência sobre as mulheres. Este grupo de organizações considera que “nenhum país decente pode encolher os ombros perante uma tragédia que a cada dia soma mais vítimas” ou “pode considerar normal que 85% das queixas sejam arquivadas”. O comunicado das organizações feministas lembra ainda a este propósito o caso do juiz do Tribunal da Relação do Porto que produziu um acórdão que menorizava a violência doméstica invocando a Bíblia: “nenhum país decente pode aceitar que as mulheres sobreviventes que conseguem levar o seu caso a tribunal sejam humilhadas por juízes como Neto de Moura”.

O conjunto das instituições nacionais não é poupado na avaliação feita: “levantamos a voz para dizermos que não aceitamos nem Ministério Público e Polícia laxistas, nem Tribunais machistas.” Exige-se urgentemente, por isso, “aposta séria na formação e uma fiscalização à forma como a lei de prevenção e combate à violência doméstica é aplicada” e apela-se à existência “de campanhas públicas de informação - assertivas e massificadas.”

A Plataforma rede 8 de março, que integra mais de 30 associações, prepara também a curto prazo a greve feminista marcada para o Dia Internacional da Mulher, que se assinala no dia 08 de março que vai contar com manifestações em nove cidades. A organização fala numa “iniciativa histórica nacional” que se junta às mulheres que “em todo o mundo se levantam em defesa dos seus direitos e mobilizam-se contra a violência, a desigualdade e os preconceitos”.

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