Desigualdade

1% mais ricos detêm mais do que 95% da humanidade, realça Oxfam

27 de setembro 2024 - 15:37

Um relatório desta ONG defende que estamos rapidamente a caminho de “uma oligarquia global” e que os multimilionários já exercem “novos níveis de controlo sobre a economia”.

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Cartaz durante o movimento Occupy nos EUA.
Cartaz durante o movimento Occupy nos EUA. Foto de badlyricpolice/Flickr.

Esta segunda-feira, a Oxfam publicou o relatório “Multilateralismo numa era de Oligarquia Global: como a desigualdade extrema mina a cooperação internacional”. A partir dos dados que mostram os 1% mais ricos do mundo possuem mais riqueza do que 95% da humanidade considera-se que os multimilionários exercem agora “novos níveis de controlo sobre a economia”, vivendo-se um “movimento em direção a uma oligarquia global”.

Contabiliza-se a este propósito que mais do que um terço das 50 maiores empresas mundiais, com uma capitalização de mercado combinada de 13,3 biliões de dólares, têm um bilionário à sua frente ou como principal acionista.

Por exemplo, apenas duas empresas controlam 40% do mercado global de sementes e os “três grandes” gestores de ativos sediados nos Estados Unidos – BlackRock, State Street e Vanguard – detêm 20 biliões de dólares em ativos, cerca de um quinto de todos os ativos investíveis no mundo.

Por outro lado, apesar de nele viverem 79% da população mundial, o Sul Global apenas detém 31% da riqueza global.

O diretor executivo desta organização, Amitabh Behar, pensa portanto que “a sombra da oligarquia global paira sobre a Assembleia Geral da ONU deste ano. Os ultra-ricos e as mega-corporações que controlam estão a moldar as regras globais para servir os seus interesses à custa das pessoas em todo o lado. O icónico pódio da ONU sente-se cada vez mais diminuído num mundo em que os bilionários dão as ordens”.

O dirigente associativo explica ainda que estas “empresas ultra-ricas e poderosas” usaram “a sua vasta influência para minar os esforços para resolver grandes problemas globais”, como o combate à evasão fiscal, a disponibilização de vacinas contra a Covid-19 ao mundo e o cancelamento da dívida soberana. Neste caso, os países de baixos rendimentos estão a ser obrigados a gastar perto de 40% dos seus orçamentos anuais no serviço da dívida, mais 60% do que gastam em educação, saúde e Segurança Social combinados. Mais de metade desta dívida é detida por bancos e fundos de investimento, muitos considerados fundos abutre.

Behar defende que “apenas um multilateralismo baseado na solidariedade por inverter este movimento em direção a uma oligarquia global”, instando-se os líderes políticos a “reconhecerem isto” e avançarem no sentido de “lutar contra a desigualdade”.

Pretende-se uma “ordem internacional mais justa” na qual “as grandes empresas paguem a sua parte justa”. É assim necessário um novo tipo de taxação, cancelamento das dívidas e alterar as regras de propriedade intelectual por exemplo no caso de pandemias.