“Sócrates coloca portugueses entre o pântano e o dilúvio"

16 de março 2011 - 10:01

O deputado do Bloco João Semedo acusou o primeiro-ministro de colocar aos portugueses a escolha entre si mesmo, José Sócrates, ou o FMI, ou seja, “entre o pântano e o dilúvio”, condenando o que classificou de “calculismo político do PS e PSD que conduziu o país a uma situação terrível”.

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Na entrevista às SIC, o Primeiro-ministro admitiu demitir-se em caso de chumbo das novas medidas do PEC: “Se o resultado do debate parlamentar for o “chumbo, os partidos tiram todas as condições ao Governo para governar e teria de haver eleições”. Foto Manuel de Almeida/LUSA

“O primeiro-ministro procurou pôr os portugueses entre duas escolhas: ou José Sócrates e a sua política ou o FMI, ou seja, entre o pântano e o dilúvio”, afirmou o deputado e dirigente do Bloco João Semedo, comentando a entrevista do primeiro-ministro, da noite de terça-feira, à SIC.

O Bloco considera que o país está a assistir a uma “degradação da vida política”, com “um jogo de passa culpas, um artificial conflito” entre PS e PSD e que representa, acrescentou, “a cumplicidade dos dois partidos na mesma política”.

João Semedo criticou o que disse ser um “calculismo político” do PS e do PSD, que, acrescentou, “tem conduzido o país a uma situação terrível, dramática, que atinge a vida de centenas de milhares de portugueses, de forma bastante dura e difícil”.

“Temos um Governo que governa enquanto o principal partido da oposição o deixa governar e temos o principal partido da oposição à espera que os efeitos desta impopularidade das medidas desgastem suficientemente o Governo para depois, como disse Pedro Passos Coelho, ir finalmente ao pote. Isto é o pântano”, sublinhou o deputado bloquista.

Instado a comentar qual será o cenário em caso de chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento pela Assembleia da República, “o Governo ficará numa situação muito difícil se todos os partidos rejeitarem essas políticas”, admitiu João Semedo, sublinhando que “vários partidos tomarão a iniciativa de apresentar projectos de resolução que condenem estas medidas”.

O deputado do Bloco afirmou que “há mais alternativas” às medidas propostas pelo Executivo, propondo “uma outra política, outra política de emprego, de apoio à economia, uma reforma fiscal que consiga ultrapassar o défice orçamental”. 

Esta quarta-feira, Bloco leva ao Parlamento a renegociação das PPP

Esta quarta-feira o Bloco irá apresentar no Parlamento uma proposta para a renegociação das Parcerias Público Privadas (PPP) “porque é preciso corrigir rapidamente a desgraça orçamental que nos compromete durante 30 anos, em mais 48 mil milhões de euros”, afirmou Louçã, este domingo numa sessão pública na Damaia.