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“Não nos falem em austeridade, falem-nos de justiça”

O deputado do Bloco de Esquerda José Soeiro intervém sobre precariedade e recibos verdes, criticando as medidas do PS e PSD nesta matéria e acusando o bloco central de utilizar a crise para “impor uma ditadura dos mercados contra as nossas vidas”.

Durante a sessão plenária de quinta-feira, durante a qual foi debatido o Projecto de Resolução do Bloco de Esquerda que recomendava ao governo a adopção de "um procedimento especial de combate à utilização abusiva de falso trabalho independente, sancionando as práticas dos actos relacionados com este facto”, que mereceu o chumbo do PSD, CDS e PSD, o deputado José Soeiro defendeu que o que está em causa é saber se “somos ou não capazes de arranjar soluções” e “a quem pertence a política, a quem respondemos, quem fala aqui, que vozes contam”.

José Soeiro defendeu que é necessário “deixar de olhar para o lado” e “aceitar o desafio de dar soluções aos problemas que existem”. O deputado lembrou que foram colocadas à disposição dos deputados da Assembleia da República as folhas de sugestões, apelos e comentários recolhidas durante o protesto da Geração à Rasca de 12 de Março e que, até quarta-feira, nenhum outro grupo parlamentar tinha solicitado a consulta desse conjunto de documentos.

Referindo-se à proposta enunciada pelo PSD de combate à precariedade, o deputado do Bloco afirmou que a posição do PSD sobre esta matéria é idêntica àquela que este mantém face ao PEC: “Isto está mal, queremos ir mais longe”, e, portanto, pretende prolongar os contratos a prazo e introduzir contratos orais.

Quanto às propostas do CDS, José Soeiro defende que este partido utiliza o “desemprego como chantagem para prolongar a precariedade”. “Como se a resposta à precariedade não fossem os direitos mas o medo e a chantagem”, avançou ainda.

Para o dirigente do Bloco, “a resposta mais perversa talvez seja mesmo a do Partido Socialista”.

“É certo que a precariedade não tem parado de aumentar com este governo, é certo que os desempregados diplomados mais do que duplicaram”, é certo que, em 2011, os gastos com recibos verdes mais do que triplicaram no Estado, e que “essa foi a escolha do PS e PSD,  que vêm agora com grande descaramento mostrar comoção com a realidade que criaram e escolheram”, afirmou José Soeiro.

A “fórmula mágica do PS”, defende o deputado, é “esconder a realidade”, como faz nos Censos 2011.

Para José Soeiro, “a crise está a ser utilizada pelo bloco central para impor uma ditadura dos mercados contra as nossas vidas, no trabalho pela imposição da precariedade, no acesso aos apoios sociais, no acesso aos serviços públicos”, no entanto, “ a democracia vai ter que falar mais alto e democracia é hoje, agora e aqui”.

O deputado termina: “Não nos falem em austeridade, falem-nos de justiça”.

"Os falsos recibos verdes triplicaram no Estado, essa foi a escolha do PS e PSD"

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