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“Medidas podem pôr em causa a qualidade dos cuidados de saúde”

No relatório divulgando nesta quarta-feira o OPSS afirma a preocupação com os cortes na saúde. Estudo conclui que resposta nas especialidades de Oftalmologia e Gastrenterologia é deficiente e muito desigual entre hospitais.
Hospital abandonado - Com base na foto de Huib! / flickr

Nesta quarta-feira o Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) apresenta o relatório “Desafios em tempos de crise” que revela um prognóstico pouco simpático para o sector e faz várias críticas ao Governo. Segundo Ana Escoval, uma das coordenadoras do observatório os anunciados cortes “não devem ser cegos”.

No relatório, os investigadores do observatório revelam preocupação com a sustentabilidade financeira do SNS, em particular dos hospitais. Afirmam ainda que muitos dos factores que determinam a evolução e sustentabilidade dos nossos sistemas de saúde começam a deslocar-se para fora do espaço nacional, lembrando o exemplo do recente acordo político em relação à directiva sobre a mobilidade dos doentes na UE, o que consideram um caso de gritante falta de informação, análise e debate no país.

Neste ano, um dos focos do estudo foram os prazos de resposta nas primeiras consultas hospitalares de especialidade. O observatório pretende monitorizar anualmente, até 2013, o grau de aplicação da Lei 41/2007, que definiu tempos máximos de espera de um, dois e cinco meses, para casos muito prioritários, prioritários e sem prioridade especificada, respectivamente. Dos mais de 700 mil pedidos de primeira consulta de especialidade enviados pelos médicos dos centros de saúde em 2009 para os hospitais (contra cerca 476 mil, em 2008), cerca de um terço teve de transitar para 2010.

O estudo específico nas especialidades de Oftalmologia e Gastrenterologia conclui ainda que a resposta é “deficiente, muito desigual entre hospitais” e há grandes assimetrias regionais. Em 2009, dos mais de 128 mil pedidos de consulta de Oftalmologia, mais de metade transitaram para este ano, sendo que na região de Lisboa e Vale do Tejo foram realizadas apenas 22 por cento das consultas.

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