“Discurso de Passos Coelho foi incoerente e de más notícias”

15 de agosto 2012 - 15:01

Luís Fazenda criticou o discurso de Passos Coelho no Pontal, por ser “incoerente” e deixou um repto ao primeiro-ministro para devolver aos pensionistas e aos trabalhadores da administração pública os subsídios cortados este ano, “substituindo esses valores por outras medidas fiscais”, “que tenham a ver com rendimentos de capital”, como impostos sobre o património de luxo e sobre grandes fortunas.

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Luís Fazenda considerou que as palavras de Passos Coelho não são apenas “um poço de contradições”, mas também “um mero artifício propagandístico” - Foto de Mário Cruz/Lusa

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda deu nesta quarta feira uma conferência de imprensa para reagir ao discurso de Pedro Passos Coelho, na terça-feira à noite em Quarteira, Loulé, em que este anunciou o fim da recessão em 2013, dizendo que vai ser um ano de "inversão" e de "preparação da recuperação" económica.

“O discurso do Pontal foi um discurso de incoerências, de más notícias e que não trouxe qualquer esperança aos portugueses e, como tal, nós condenamo-lo pela sua vacuidade e pela sua inexistência política”, afirmou Luís Fazenda.

O líder parlamentar do Bloco lançou um repto ao primeiro-ministro e ao governo: “Apresentem um Orçamento Retificativo, devolvendo aos pensionistas e aos trabalhadores da administração pública os subsídios cortados deste ano, já considerados inconstitucionais e substituindo esses valores por outras medidas fiscais, já em linha com o futuro Orçamento de Estado, que tenham a ver com rendimentos de capital”, “como o Bloco de Esquerda já materializou essas propostas a partir de impostos sobre o património de luxo, impostos sobre grandes fortunas em Portugal – esses montantes estão a ser excluídos do esforço fiscal e têm de ser chamados à sua contribuição”.

Luís Fazenda denunciou também que “aquilo que o primeiro ministro vem mais ou menos insinuando, que é fazer uma distribuição por todos os trabalhadores e por todos os pensionistas dos sacrifícios do próximo Orçamento de Estado não só não conduzem ao fim da recessão”, “como é o agravamento e a generalização de uma injustiça social, de uma falta de equidade na repartição de sacrifícios. O problema da equidade é com o capital, não é entre os trabalhadores”.

O líder parlamentar do Bloco apresentou uma segunda medida: “discutir na Europa as condições do desenvolvimento económico, a de renegociar o memorando da troika, os termos da dívida, as condições para o relançamento da economia portuguesa”.

Luís Fazenda repudiou o discurso do primeiro ministro, considerando-o “desconexo” e sublinhando que “não animou, nem as hostes do PSP, nem tranquilizou os portugueses” e frisou ainda que as palavras de Passos Coelho não são apenas “um poço de contradições”, mas também “um mero artifício propagandístico”.

Notícia atualizada dia 15 de agosto às 16h30.

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