“É preciso que haja contenção nos salários excessivos dos gestores públicos”

28 de fevereiro 2011 - 1:53

Francisco Louçã esteve na Madeira, respondeu a Passos Coelho e criticou Alberto João Jardim, referindo que um ano depois da tragédia está-se a gastar dinheiro para a construção de um cais e de um aterro e não se cuidou do que é prioritário.

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Francisco Louçã no Funchal, 27 de Fevereiro de 2011

"Um ano depois, está-se a utilizar dinheiro para a construção de um cais e de um aterro com estas dimensões quando ainda não se cuidou daquilo que era prioritário - reconstruir as casas, limpar as ribeiras, garantir que a baixa do Funchal não seja inundada sempre que há uma chuvada forte, proteger as pessoas", declarou o coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda no Funchal, onde inaugurou uma nova sede regional do partido e visitou o depósito de inertes levados pela enxurrada de 20 de Fevereiro de 2010 e que o Governo Regional quer aproveitar para criar um novo cais de acostagem de barcos de recreio. (Ouça as declarações)

Segundo a agência Lusa, Francisco Louçã denunciou também os salários excessivos dos gestores públicos, reafirmando que não devem ganhar mais do que o Presidente da República.

"O Bloco de Esquerda responde a Pedro Passos Coelho, sim, é preciso que haja regras, que haja contenção nos salários excessivos de alguns gestores públicos e que todos eles prestem contas e respondam perante o país, que tem problemas, e o maior de todos é a criação do emprego e uma economia decente", afirmou o dirigente do Bloco.

"Que possa haver um presidente da TAP que ganhe 600 mil euros quando, ao mesmo tempo, a TAP, por via de uma empresa sua participada, está a despedir 336 trabalhadores do aeroporto de Faro para depois os substituir por trabalhadores precários, isso diz exactamente o que se passa sobre aqueles que têm a faca e o queijo na mão", denunciou Louçã, que acrescentou: "Preferem criar desemprego, precariedade e dificuldades para aquelas famílias daqueles trabalhadores quando têm todo o poder e quando são pagos de uma forma tão exorbitantemente acima do salário do Presidente da República".

Francisco Louçã salientou ainda que a moção de censura do Bloco mostra que "há uma esquerda que quer puxar pelo país, que quer puxar pela economia, que quer defender os desempregados e os precários, são dois milhões de pessoas, homens e mulheres, formados, preparados, com qualificações e licenciaturas que não têm nenhuma oportunidade em Portugal".

Louçã realçou ainda que o PSD, "o braço direito do Governo Sócrates", e o PS "estão aliados na manutenção da degradação da economia” e pretendem que "continue tudo na mesma e tudo na mesma é mais desemprego, é mais dificuldade, é arrastar-se uma crise económica".

"O engenheiro José Sócrates está a defender a coligação que tem com o PSD para privatizar os CTT, a coligação que tem com o PSD para fechar os olhos ao desemprego, para facilitar os despedimentos e para promover o trabalho precário e essa coligação arruína o país", exemplificou ainda o dirigente do Bloco.