A concentração, promovida pelo Movimento de Utentes da Saúde Pública (MUSP) do distrito de Évora, juntou na Praça do Giraldo, no centro histórico da cidade alentejana, cerca de 900 participantes, segundo estimativa da PSP local.
Gritando palavras de ordem e empunhando cartazes onde se podia ler “cortes nas credenciais afectam os mais desfavorecidos”, “cortes nas credenciais prejudicam a saúde da população” e “não ao corte nas credenciais de transporte”, os manifestantes exigiram a revogação do despacho do Governo.
Assinado pelo secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, o despacho, que entrou em vigor a 1 de Janeiro, determina que o acesso ao transporte pago pelo Ministério da Saúde passa a ter que responder obrigatoriamente a dois requisitos: prescrição clínica e insuficiência económica.
“Diariamente chegam-nos casos de pessoas desesperadas que não têm transporte para irem a consultas e a tratamentos (…) e muitos já estão a desistir”, afirmou Sílvia Santos, do MUSP do distrito de Évora. Considerou ainda que “dificilmente” os mais idosos vão “conseguir pagar do próprio bolso o transporte”, já que em muitos casos estes auferem baixos rendimentos.
O MUSP tem a circular um abaixo-assinado contra o despacho do Governo, que já conta com cerca de 15 mil assinaturas, para entregar este mês na Assembleia da República.
Fazendo-se transportar em 16 autocarros, os manifestantes vieram um pouco de todo o distrito de Évora, mas era mais notória a presença de moradores de Vendas Novas, Montemor-o-Novo, Mora e Arraiolos.
Na concentração, foi aprovada, por unanimidade, uma moção a exigir a revogação do despacho, que foi entregue na Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo.
A viver em Montemor-o-Novo, Celestino Martinho disse à Lusa que já “sentiu na pele” o corte das credenciais, quando, na semana passado, foi ao Centro de Saúde local “com muitas dores”.
“A médica auscultou-me e queria mandar-me para Évora para fazer exames, mas disse-me que agora não há ambulância e que eu tinha de pagar. Vou buscar o dinheiro onde para pagar uma ambulância”, questionou, explicando que recorreu a um familiar para o transportar.