Árctico é aberto à exploração de petróleo

11 de agosto 2011 - 12:30

Menos de um ano e meio após o derrame de petróleo no Golfo do México, a administração Obama ignorou alertas de ambientalistas e deu aprovação preliminar para a gigante do petróleo, Royal Dutch Shell, explorar a costa do Árctico. Por Jeremy Hance

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Imagem de Mongabay: O pino amarelo mostra o local aprovado para a perfuração da Shell. A área em rosa é o Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico (ANWR)

As perfurações exploratórias serão realizadas ao norte da borda ocidental do Refúgio Nacional da Vida Selvagem do Árctico no Mar de Beaufort, que abriga as baleias Beluga, focas, leões marinhos, ursos polares e uma variedade ampla de aves migratórias.

“Isto é um desastre iminente”, comentou a advogada do grupo ambientalista Earthjustice Holly Harris.

Ambientalistas e indígenas que vivem na área têm combatido há tempos a exploração no Árctico alegando que as condições extremas tornam a perfuração especialmente precária e um derrame de petróleo seria quase impossível de limpar adequadamente.

Porém, a autorização foi concedida pelo ‘Bureau of Ocean Energy Management, Regulation and Enforcement’ (BOEMRE), dependendo da finalização do plano de resposta a derrames de petróleo da Shell.

O Almirante Robert Papp, oficial da Guarda Costeira norte-americana, admitiu no mês passado que se um derrame ocorrer nesta área, a Guarda Costeira não tem infraestrutura e equipamento necessários para lidar com a situação.

“Se isto acontecesse na região, não teríamos nada”, enfatizou Papp numa reportagem da agência Platts.

Entretanto, a Shell declarou que tem o melhor ‘plano de resposta a derrames que qualquer outro local no mundo’, e que está pronta para qualquer problema. A empresa já investiu mais de 3,5 mil milhões para perfurar o oceano Árctico.

O sítio no Mar de Beaufort é localizado a cerca de 32 kms da costa numa profundidade de 49 metros, na qual a Shell alega que seria possível o acesso de mergulhadores ao poço, se necessário.

No meio da vitória no Árctico, a empresa deve pagar mil nilhões para limpar décadas de poluição na Nigéria, onde um novo relatório das Nações Unidas revelou que a Shell não cumpriu os seus próprios padrões, nem os do governo nigeriano. A empresa admitiu na semana passada que 11 milhões de galões de petróleo foram derramados no país em 2008.

O diretor da BOEMRE, Michael Bromwich, disse que a decisão de aprovar a perfuração no Árctico foi baseada “nas melhores informações científicas disponíveis”, mas Harris criticou o gabinete, dizendo que o órgão colocou “os lucros e o poder da empresa petrolífera” acima da “integridade científica”.

A exploração de petróleo no Árctico também está sendo motivo de preocupação na Rússia com a proposta da Gazprom de fazer a primeira perfuração off-shore do país.

Mikhail Babenko, chefe do programa de petróleo e gás no Árctico da WWF, disse ao Moscow Times que a Gazprom não está preparada para a perfuração na região.

Babenko chamou de ridículo o seguro de 250 mil dólares da Gazprom contra danos ambientais, levando em consideração que a limpeza do derramamento da BP no Golfo do México custou 40 mil milhões de dólares. Além disso, ele ressaltou que o posto de serviço de limpeza mais próximo do local fica a 1.000 Kms de distância.

O derretimento da cobertura de gelo durante o Verão devido às mudanças no clima está a abrir áreas que há muito estavam fechadas no Árctico, deixando a região exposta para a exploração de petróleo e gás.

Entretanto, muitos ambientalistas alertam que o degelo deve ser visto como um aviso da dependência global de combustíveis fósseis e não como uma oportunidade para queimar mais, o que pioraria as mudanças no clima que estão a mexer com os frágeis ecossistemas árcticos.

Artigo de Jeremy Hance, publicado em Mongabay, traduzido por Fernanda B. Muller para Carbono Brasil

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