Dossier 112: 20 anos da queda do Muro de Berlim

Novembro 7, 2009

Os disparos mortais contra fugitivos eram, ao lado da vigilância geral, da segurança prévia efectuada pela Stasi e pela polícia, das vedações dificilmente transponíveis e de uma densa ordenação de postos de fronteira, a pilastra angular decisiva do regimento de fronteiras da RDA. Apenas a ameaça com a pena de morte - e em último caso a sua execução concreta - oferecia ao regime do SED a garantia de poder impedir duradouramente as fugas.

Novembro 7, 2009

A 24 de Setembro de 1991, apresentava-se à polícia na fronteira da Baviera o ex-chefe do serviço de espionagem da ex-República Democrática Alemã (RDA). Markus Wolf tinha conseguido passar um ano escondido em Moscovo.
Por Doris Bulau, da Deutsche Welle

Novembro 6, 2009

Sempre houve quem tentasse fugir atravessando o Muro das mais variadas formas: através de túneis, carros, barcos, aviões ou simplesmente com escadas. Calcula-se que tenha havido mais de cinco mil tentativas de fuga. Alguns tiveram sucesso. Outros, como Chris Gueffroy, um dos últimos a morrer na fuga, não conseguiram vencer a barreira. O número total de mortes não é consensual, mas um estudo recente patrocinado pelo governo alemão avança com a confirmação de 136 pessoas mortas ao cruzar a fronteira berlinense. Veja aqui uma cronologia das fugas mais espectaculares e também a dos acontecimentos políticos com influência na história do Muro.

Novembro 6, 2009

O twitter é hoje uma ferramenta indispensável aos activistas para informar minuto a minuto nos momentos políticos e sociais mais conturbados. Por isso é tão perseguido pelas ditaduras e até por algumas democracias.

Novembro 6, 2009

Os dois lados do muro de Berlim foram cobertos por grafittis e se alguns se assemelham aos que vemos nas paredes de qualquer outra cidade, também há mensagens políticas bem marcadas.

Novembro 6, 2009

Para assinalar os 20 anos da queda do muro, centenas de pessoas juntaram-se na rede social Flickr para limpar a poeira dos velhos slides e fotos guardadas no fundo das gavetas.

Novembro 6, 2009

Num dos dias mais marcantes da história no século XX, o Muro de Berlim deixou de dividir a cidade. Mas enganou-se quem pensou que este acontecimento anunciava que estava próximo o fim dos muros que separam os povos. Pelo contrário, desde Novembro de 1989, outros muros se levantaram no planeta, mais altos e intransponíveis do que o da capital alemã.

Novembro 6, 2009

Por mais de 28 anos, o Muro de Berlim foi o símbolo da divisão das duas Alemanhas. A fortaleza estendia-se por 155 quilómetros e separava Berlim Ocidental de Berlim Oriental. Muito maior era a fronteira inter-alemã, isto é, entre a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA), de regime comunista. Ela somava 1400 quilómetros, indo da baía de Lübeck, no norte, até Hof, no sul, na fronteira com a Checoslováquia.

Novembro 6, 2009

Na noite de 9 para 10 de Novembro de 1989 caía o Muro de Berlim, a barreira de 165 km de betão e arame farpado que dividia a antiga capital do Reich. Com o muro, desabava o principal símbolo e, ao mesmo tempo, a mais chocante realidade física da divisão da Europa desde 1945. Foi um momento louco, quase irreal, a que o mundo assistiu estupefacto e incrédulo. Era, por um lado, o clímax da vaga de revoluções que sacudira a Europa Central nos últimos meses. E, ao mesmo tempo, o início de uma nova época, o rebentar da última grande barreira que segurava a ordem herdada da II Guerra Mundial. Artigo de Carlos Santos Pereira, publicado na Vida Mundial de Novembro de 1999

Novembro 6, 2009

Recordo 9 Outubro de 1989: o movimento “Sem violência” inspirado pela igreja evangélica levava para as ruas de Leipzig mais de 70 000 pessoas que gritavam “Nós somos o Povo!” e exigiam o fim da polícia política Stasi. Um mês depois, a 9 de Novembro, o movimento cívico Novo Fórum, a única organização civil que ousou enfrentar o regime da Alemanha Oriental lutando pela defesa dos direitos cívicos, reúne nas ruas de Berlim Oriental uma multidão pacífica que se dirige aos diversos pontos de passagem do muro e obriga a levantar as cancelas para o Povo passar. Nos dias seguintes, de parede brutal entre povos, o Muro transformou-se numa imensa galeria artística ao ar livre. Texto de Natércia Coimbra.

Novembro 6, 2009

A queda do muro tem um significado muito especial: é a vitória da lenta, persistente e tantas vezes ignorada resistência contra a opressão; é a derrota da alienação ideológica perante a materialidade irresistível dos interesses mais profundos das sociedades e dos indivíduos. É a demonstração irrevogável de que o socialismo não pode existir sem democracia e sem a maior liberdade individual. Texto de Mário Tomé.

Novembro 6, 2009

O PCP convidou-me em 1979 para ir trabalhar para a RDA. Iria também a Maria Ermelinda e os nossos filhos. Acabara de fazer o estágio pedagógico e ir viver num país socialista era uma aposta interessante. Dados necessários para compreender a situação: estamos em 1979, ainda com a revolução na ponta das nossas esperanças, o socialismo de leste parece estar em boa forma, acredito piedosamente que o comunismo é o futuro e não sei uma palavra de alemão. Era o que hoje, em bom rigor, se chamaria um estalinista chapado. Texto de António Avelãs.

Novembro 6, 2009

Uma pesquisa nos canais de vídeo disponíveis na net permite encontrar muito material de arquivo relativo à história do muro de Berlim e em particular os seus últimos dias. Os três vídeos documentais que seleccionámos para incluir neste dossier são um bom ponto de partida para entender o que se passou naquelas semanas. E juntamos dois filmes experimentais feitos em Berlim, antes e após a queda o Muro. Naturalmente, os conteúdos reflectem a opinião dos seus autores.

Novembro 6, 2009

O século XX começou em 1905 com o Soviete de Petrogrado e terminou em 1989 com a queda do muro de Berlim. Século curto, foi um tempo intenso de revoluções e contra-revoluções, de guerras mundiais e fascismo, de colonialismo e exterminismo, de acumulação intensa de capital e de aceleração do tempo tecnológico e militar. Nunca o mundo produziu tanto, nunca a população foi tão grande, nunca a miséria foi tão miserável. E nunca houve tantos muros: na Cisjordânia e em Gaza, na fronteira entre os Estados Unidos e o México, na Ásia, em Schengen. Artigo de Francisco Louçã.