Blogosfera

Setembro 13, 2011

Hoje, quando lhe ouvi dizer que a culpa da pobreza é do colono, e não do MPLA, para justificar a situação em que estamos, foi como se a venda que tinha nos meus olhos finalmente caiu e me permitiu ver pela primeira vez o Presidente José Eduardo dos Santos, que tanto amava quando era criança. (…) Só um génio incompetente é capaz de, passados mais de trinta anos a governar, justificar a pobreza do país com a herança do colonialismo. (…)
Publicado por José Desencantado (pseudónimo) em canalmoz.co.mz

Junho 8, 2011

(…) Os argumentos de que falo são os mesmos de sempre, Malthusianos: “Se os pobres forem apoiados na sua pobreza, tornam-se indolentes – recusam o salário e o trabalho assalariado”. Sobreviverão, mas isto só fará que aumente o seu número.
Mais cedo do que tarde alguém se irá lembrar que isto tanto se aplica ao RSI, ou ao subsídio de desemprego, como… às ajudas do Banco Alimentar.
É sinistro o argumento de Malthus, não é? Pois é - por isso mesmo houve quem chamasse à Economia Política a “ciência lúgrube” -, mas o argumento de Malthus em nada de fundamental difere dos que todos os dias ouvimos até a convivas que insistem em violar as “leis da natureza” como Isabel Jonet.
Publicado por José M. Castro Caldas em Ladrões de Bicicletas

Maio 19, 2011

(…) Não se compreende que alguém, fingindo-se muito indignado, possa dizer alto e bom som - “reestruturação jamais” - sem corar de vergonha. Se uma coisa é certa - e acerca dela nem sequer há divergências entre economistas de esquerda e de direita - é que com estas perspectivas de recessão e estas taxas de juro, a dívida das periferias não é pagável. É matemático: a dívida explodiria. (...)
Publicado por José M. Castro Caldas em Ladrões de Bicicletas

Abril 21, 2011

Pedro Passos Coelho escolheu reunir à sua volta a pura nata da direita portuguesa, é com ela que se sente verdadeiramente em casa. Paulo Teixeira Pinto para a revisão constitucional, Eduardo Catroga para a economia, Miguel Relvas para secretário geral do PSD e por aí vai a lista da reacção, deixando o seu lastro de mofo e mediocridade. (...)Mas ter amigos destes tem os seus riscos. Diogo Leite Campos, escolhido a dedo para vice do PSD, é jurista, direitoso e conservador, além de ex-administrador do Banco de Portugal e da CMVM. Por Adriano Campos em Adeus Lenine.

Abril 19, 2011

Deveria ser óbvio que, se é verdade que vivemos “acima das nossas possibilidades” e daí resultou a nossa crise, fossem os que viveram “acima das suas possibilidades” os que sofressem os efeitos da crise. Os meritocratas logo se encarregaram de equacionar a solução: como para combater a crise se pretendem reduzir os subsídios de desemprego e de inserção social, deverá concluir-se que foram os desempregados e os que não têm qualquer rendimento que viveram “acima das suas possibilidades.” (…) Quem de certeza não viveu “acima das suas possibilidades” foram os Mexias da EDP e similares(…)
Publicada por António Avelãs em O Circo Lusitano

Abril 18, 2011

Bem sei que começa ser normal existirem surpresas destas. Mas num tempo em que se questiona a incoerência ideológica de Nobre, sou só eu que acho estranho não se discutir a inclusão de um fundador do CDS nas listas do PS? É que, sem dramas, ou Basílio evoluiu para a esquerda ou o PS é hoje um partido mais alinhado com a visão de Basílio.
Publicado por João Ricardo Vasconcelos em Activismo de Sofá

Abril 14, 2011

Agora, todos nós podemos dar força, assinando a petição, à queixa contra as agências de rating entregue na Procuradoria-Geral da República por quatro economistas que recusam submeter-se ao pensamento dominante e à ditadura dos mercados financeiros: José Reis, José Manuel Pureza, Manuel Brandão e Manuela Silva.
Não percamos a oportunidade de juntar a nossa voz e a nossa vontade num combate que vale a pena. Petição A Relevância das Agências de Rating e o Risco de Abuso de Posição Dominante
Publicado por Henrique Sousa em O que fica do que passa

Abril 12, 2011

(…) O que é importante no curto prazo é saber se consentimos ou rejeitamos um novo programa de austeridade irresponsável que nos pode trancar numa rota de desastre. 5 de Junho poderá ser transformado no nosso referendo Islandês (...)
E se o “não” ganhasse esse referendo? Nesse caso teríamos de fazer o que não dá jeito a Merkel e Sarkozy: reestruturar a dívida agora e não em 2013. Não é uma escolha sem consequências, é simplesmente o menos mau dos males na situação em que vamos estar a 5 de Junho juntamente com os gregos e os irlandeses, pelo menos.
Publicado por José M. Castro Caldas em Ladrões de Bicicletas

Novembro 3, 2010

Manuela Ferreira Leite afirmou hoje, no debate do Orçamento do Estado, que “quem manda é quem paga”. A banca afirmou hoje que prevê pagar menos 86 milhões em impostos.
Publicado por Andrea Peniche em Minoria Relativa

Novembro 1, 2010

António Borges nomeado director do Departamento Europeu do FMI. O lobbyista dos fundos especulativos chega ao FMI. Está na natureza da coisa. Ferreira Leite perdeu as eleições, mas as suas ideias estão nos poderes e nas políticas que contam. A democracia está em processo de suspensão...
Publicada por João Rodrigues em Ladrões de Bicicletas

Outubro 17, 2010

1. As opções de fundo do OE 2011 são economicamente erradas e socialmente desastrosas. Proceder a um esforço de consolidação orçamental num momento em que a economia está a sofrer os efeitos da crise financeira internacional vai contra os princípios básicos da macroeconomia e é uma receita certa para a crise social. (…)
Publicada por Ricardo Paes Mamede em Ladrões de Bicicletas

Outubro 11, 2010

Comunicado do PCP:
“Face a solicitações de vários órgãos de comunicação social sobre a atribuição do prémio Nobel da Paz deste ano, o PCP divulga o seguinte:
A decisão da atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo – inseparável das pressões económicas e políticas dos EUA à República Popular da China - é, na linha da atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2009 ao Presidente dos EUA, Barack Obama, mais um golpe na credibilidade de um galardão que deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre os povos.”
Quando tudo parece ter limites, o PCP consegue ainda surpreender.
Publicado por Joana Lopes em Entre as brumas da memória

Outubro 10, 2010

"(…) Nestes termos, decide-se:
a. declarar, com força obrigatória geral, a inconstitucionalidade da norma constante do artigo 11º da Lei nº 2/92, de 9 de Março (Lei do Orçamento do Estado para 1992), na medida em que operou uma redução da remuneração global auferida por pessoal por ela abrangido e que se encontrava já em exercício de funções à data da sua entrada em vigor, por violação do princípio da confiança, ínsito no princípio do Estado de direito democrático, consagrado no artigo 2º da Constituição;
b. declarar, com força obrigatória geral, a inconstitucionalidade da norma constante do artigo 9º da Lei nº 30-C/92, de 28 de Dezembro (Lei do Orçamento do Estado para 1993), na medida em que manteve a referida redução da remuneração global auferida pelo mesmo pessoal antes da entrada em vigor da Lei nº 2/92. "
Publicado por Patrícia Naré Agostinho em Sine Die

Outubro 7, 2010

A tese: 'Governo suspende negociações e promete demissão se PSD chumbar o Orçamento'
A antítese: 'PSD não negoceia... mas vai deixar passar o Orçamento'
A síntese: 'Cavaco "força" diálogo PS-PSD para Orçamento, Sócrates mantém tensão'
Ou nada-disso: Aquelas 3 manchetes, uma de ontem e duas de hoje, resumem o discurso da pseudo-crise-política PS-PSD (…)
Publicado por Bruno de Góis em Adeus Lenine

Outubro 7, 2010

"As estimativas são estimativas." Não posso estar mais de acordo com tão profundo pensamento senhor ministro da economia. As estimativas do FMI são as estimativas do FMI e as suas recomendações de política são política. E prevêem a estagnação a cair para a recessão, com uma uma taxa de desemprego nos 11% e aconselham estas escolhas desastrosas de política económica. Irão ser certamente revistas porque o futuro é radicalmente incerto: as previsões serão revistas, as recomendações nunca. (…)
Publicada por João Rodrigues em Ladrões de Bicicletas

Setembro 2, 2010

Como é que da sede municipal do partido que conquistou a independência de Moçambique e que governa o país há 35 anos, alegando o nome do povo, se dispara de kalashnikov sobre umas dezenas de jovens e crianças com pedras, que 3 polícias não têm dificuldade em dispersar? (…)
Publicado por Paulo Granjo em Antropocoiso

Agosto 31, 2010

Antes de mais, e para os cidadãos menos informados, há que dizer que este concurso de professores não é um concurso para colocar docentes nos quadros das escolas. É sim um concurso para oferecer postos precários aos docentes que se candidatam.
Dos cerca de 50 mil candidatos, mais de 30 mil não obteve colocação. 17 mil professores foram colocados (precariamente, claro), 10 mil dos quais através da renovação de contrato na mesma escola (sendo que dos restantes sete mil só uma parte obteve horário completo).

Estes números mostram que o governo aposta cada vez mais na precariedade dos docentes, prejudicando a qualidade do ensino.(...)
Publicada por Movimento Escola Pública

Agosto 24, 2010

Espiões militares seguem para teatro de operações do Afeganistão no Outono. O ministro acredita que também no Líbano – os militares portugueses participam na UNIFIL – deve haver este “instrumento”. (Augusto Santos Silva, ao I).
Espiões militares portugueses é um eufemismo, ou um código militar, quem sabe, para caracterizar aqueles sujeitos cujos nomes costumam circular com maior rapidez e publicidade que os números de telefone das páginas amarelas. Mas, se forem tão bem treinados como os seus colegas civis, isto vai ser rápido. (…) Publicado por Pedro Sales no Arrastão.

Agosto 17, 2010

Um belo exemplo da plenipotência do comentarismo publicista nacional: Pacheco Pereira acusou uma jornalista, Teresa Canto Noronha, sua colega na SIC (o que, para o caso, é pouco relevante), de “preconceito”, “asneira” e “ignorância”, numa peça em que aquela se refere ao Vaticano como sendo uma monarquia absoluta. Publicado por Sérgio Lavos, no Arrastão.

Agosto 5, 2010

O governo é cego nos cortes que está a fazer, mas não é cego nos alvos que quer atingir. No mesmo dia em que soube que a eficácia no combate à evasão fiscal no IRC está ao nível que estava há 15 anos, entram em vigor as regras que vão tornar a vida das pessoas mais fragilizadas pela crise cada vez mais difícil. Publicada por PI em Precári@s Inflexíveis

Julho 30, 2010

A Câmara de Lisboa tem uma longa tradição de “excentricidade” nas suas empresas municipais. Os casos de gestão “exótica” sucedem-se. O último foi este da EPUL, sugerindo que os seus funcionários abdicassem de parte do seu salário e literalmente o doassem à empresa. É muito à frente…
Publicada por João Ricardo Vasconcelos em Activismo de Sofá

Julho 29, 2010

No Algarve, comunicado de um grupo anónimo de agricultores, a propósito de alegado roubo frequente de alfarroba:
“Tolerância zero para quem der trabalho ou permitir acampamento a ciganos. Tolerância zero aos compradores que negoceiam com ciganos e produto roubado.» «Se necessário for daremos fogo às viaturas e armazéns dos infractores.”
Na longa notícia do Expresso, um dirigente da associação dos produtores de alfarroba demarca-se mas compreende, a GNR assobia para o lado (…)
Mas NINGUÉM se declara interessado em identificar os autores do comunicado (...)
Publicado por Joana Lopes em Entre as brumas da memória

Julho 27, 2010

(…) O que me causa perplexidade é testar-se um cenário em que há, ao mesmo tempo, recessão e desemprego (normal) com... subida das taxas de juro.
Um dos factos que justificou os bons resultados dos quatro bancos portugueses - com um deles a registar até um rácio de solvabilidade mais elevado em stress do que no cenário base - foi exactamente esse "se as taxas de juro subirem". Como a banca faz reflectir a subida dos juros praticamente de imediato no crédito - veja-se o caso da habitação indexada à Euribor - e com desfasamento nos depósitos, a sua margem aumenta tanto que é capaz de compensar as perdas com os incumprimentos gerados pela recessão/desemprego. (…)
Publicada por Helena Garrido em Visto da Economia