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Opinião

27 Março, 2007

Os números das estatísticas estão aí para o provar: em Portugal, juventude rima com precariedade.

14 Março, 2007

Abro os jornais de hoje da Madeira e leio. O Diário de Notícias (do Funchal) garante que cada agricultor vai receber um prémio, que pode chegar a mil euros num ano, pelo seu trabalho no contributo para a paisagem. Escreve ainda o DN que "O Pavilhão da Escola Secundária Francisco Franco é novo e já mete água". Em contrapartida, uma boa notícia: há um "almoço na Quinta Vigia (sede do Governo Regional) só para deputados do PSD".

9 Março, 2007

Nas últimas semanas temos assistido ao redobrar de esforços de alguns defensores do ‘Não' no sentido de aplainar a derrota e subverter o sentido do voto de 11 de Fevereiro. Primeiro foi o CDS a agitar a bandeira do carácter não vinculativo do referendo.  Seguiu-se a exigência da cúpula do PSD, acompanhada por algumas eleitas PS, de introduzir na nova lei o pressuposto do aconselhamento obrigatório, numa tentativa de transformar o seu ‘Não' em lavagem cerebral mascarada de ‘Sim'.

1 Março, 2007

No dia 2 de Fevereiro último foi divulgada a versão não-confidencial do relatório "Prospects for Iraq's Stability: A Challenging Road Ahead". Este documento é o produto mais substantivo dos serviços secretos norte-americanos (entregue directamente ao Presidente) e integra o trabalho de 16 agências de espionagem sobre como a situação no terreno vai afectar as questões de defesa nacional nos próximos 18 meses. A avaliação diz que a trajectória do país é de clara deterioração. A violência que se vive no Iraque pode ser descrita como "guerra civil" dadas as características de elevado número de baixas civis, divisões étnicas, facções religiosas, e ainda a existência de 2,4 milhões de refugiados (dados ONU, 4 de Novembro de 2006). Porém, diz-se ainda que a situação é mais complexa do que apenas guerra civil dada a ocorrência de ataques às tropas ocupantes, a grave incidência de criminalidade nas ruas e a interferência de potências vizinhas (alegadamente, movimentos ligados ao Irão e forças da al-Qa'ida).

14 Fevereiro, 2007

No período preparatório do referendo, surgiram muitos argumentos contra a sua realização. Segundo uns, tratar-se-ia de correr um risco desnecessário, porque o Parlamento teria maioria para votar a lei. Para mais, seria perder tempo. Segundo outros, o referendo é sempre arriscado, por natureza, e devem-se evitar os riscos. Esses argumentos têm uma justificação razoável: havia um risco no referendo. Mas são politicamente errados, na minha opinião.

13 Fevereiro, 2007

Terminado o referendo, creio que é útil pensar e discutir em detalhe as suas principais lições. Esse é o objectivo desta crónica, e começo por um tema que é fundamental para definir uma estratégia para a esquerda política em Portugal: a esquerda deve ou não promover uma política unitária?

13 Fevereiro, 2007

Os jornais, nos dias de balanço dos referendos, fizeram muitas apreciações, consoante os cronistas, os jornalistas e as suas opiniões. Mas uma parece ter vingado: a de que o movimento do Sim ganhou porque foi mais moderado do que em 1998.
Penso exactamente o contrário: que o Sim ganhou porque foi mais radical do que em 1998 e porque pretendeu assim disputar o que tinha a disputar, que era a maioria dos votos.

9 Fevereiro, 2007

O primeiro despacho da Agência Reuters acerca do referendo português tinha como título "Portugal testa a modernidade". A perseguição criminal às mulheres que abortam em Portugal é vista em toda a Europa como uma excentricidade e uma aberração - e em Portugal também. E esse foi o tema desta campanha referendária. E é por isso que o Sim aparece em posição de ganhar no domingo

30 Janeiro, 2007

Ao longo dos últimos dias, a campanha do Não parece ter explodido. Ninguém se entende, uns dizem uma coisa e outros o seu contrário. Uns querem punir e outros querem não punir. Uns falam da vida inviolável e outros das condições em que a mulher pode abortar e não ser presa.

29 Janeiro, 2007

Muitas pessoas têm dúvidas sobre como votar no Referendo. É por isso que escrevo para os Leitores do Correio da Manhã, com todo o gosto.
Já sabe que Voto Sim. Voto Sim porque todas as pessoas de bem ficam incomodadas pelos julgamentos das mulheres que abortaram. E porque acho que não podemos condenar essas mulheres a uma pena de prisão: desde o último referendo, 17 mulheres foram condenadas por aborto e muitas mais foram julgadas. Tenho vergonha por estes julgamentos.

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